Escola no RJ adota Lego para estimular competências do século 21

Já imaginou aprender os conceitos de Física usando peças de Lego e criatividade? Ou, quem sabe, construir e programar um robô utilizando cálculos da Matemática? Essas e outras atividades são vistas na Escola Canadense, no município de Niterói, no Rio de Janeiro. Lá, os alunos são instigados a aprender colocando a mão na massa.

A implementação desse aprendizado maker foi feita por meio de uma parceria da instituição com a Lego Education. Priscilla Riddell, diretora educacional da Escola Canadense, disse que, ao receber a proposta, percebeu que ela combinava com a essência da escola.

“Entendemos que dentro das montagens que eles fazem, poderíamos introduzir conteúdos e conceitos que já trabalhamos em sala de aula. É feito uma compilação entre os temas das matérias e a robótica“, explicou Priscilla.

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Com um aprendizado centrado no aluno, as aulas acontecem em laboratórios com atividades “hands on”. Coleta de dados, experimentação, construção e análise são algumas etapas que desenvolvem a capacidade criativa, crítica e argumentativa de cada estudante.

A implementação do Lego às aulas é feita desde as classes primárias. Na turmas da educação infantil, por exemplo, são trabalhadas situações que envolvem sequência, classificação, comparação e simetria.

“Mesmo sendo bem pequenos, o pensamento matemático já faz parte da rotina desses alunos. Além disso, eles trabalham em pequenos grupos. Aprendem a ouvir uns aos outros. É um trabalho colaborativo”, explicou Daniela Pureza, coordenadora pedagógica da Educação Infantil.

Aprendizado para todas as faixas etárias

Para os alunos de 5 anos, o projeto é a construção de diferentes meios de transporte. Por exemplo, eles recebem um avião pela metade e precisam pensar em como completarão esse meio de transporte de maneira ordenada, semelhante e simétrica.

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“Não adianta definirmos os conceitos matemáticos, a questão das sequências e da simetria para esses alunos pequenos. Primeiro vamos na prática. Quando chegam no ensino fundamental, conseguem assimilar melhor esses conteúdos teóricos.”

Além do aprendizado lúdico, o uso da metodologia proposta pela Lego possibilita o desenvolvimento das competências para o século 21. Curiosidade, pensamento crítico e colaboração são algumas das habilidades estimuladas pelas aulas.

No ensino fundamental, os conceitos físicos e matemáticos estão presentes a todo momento, aguçando a curiosidade e a busca por solucionar desafios que vão sendo ampliados gradativamente. “Eles também trabalham em grupos e se dividem em diferentes funções: escriba, organizador da caixa e montagem.”

De acordo com Priscila, essa divisão de tarefas é importante, pois ajuda a dinâmica da sala de aula e faz com que eles percebam a importância de cada etapa: “É muito bom ver na prática aquilo que nós, professores, só vemos na teoria quando vamos em outras escolas.”

Capacitação para os professores

Para Priscilla, o uso de novas tecnologias e ferramentas que facilitem aprendizado é essencial para o mundo atual. Não só para aprender uma nova disciplina, como também para o melhor desempenho do ambiente escolar.

Para dar sentido às novas maneiras de ensinar, os professores precisam estar alinhados com o conteúdo. Por isso se tornaram alunos para receber um treinamento de tudo aquilo que devem passar para suas turmas.

“Além de estudar o material, também temos que montar as peças. É muito engraçado, porque apesar de o Lego ter nascido em 1930, quando crianças não tínhamos muito contato com esse brinquedo”, lembrou Michele Azevedo, coordenadora pedagógica do ensino fundamental da Escola Canadense.