Escola de Hackers: tecnologia para melhorar processo de ensino-aprendizagem

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Estudantes da rede pública de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, estão virando hackers. Tudo por causa de uma parceria entre a Universidade de Passo Fundo (UPF) e a Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal, que deu origem à Escola de Hackers.

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Com um investimento de R$30 mil anuais, a prefeitura viabiliza todos os recursos para o funcionamento do projeto. Atualmente, 230 estudantes têm acesso a uma educação mais aberta à criatividade e com mais participação, por intermédio do programa.

Adriano Teixeira, professor da UPF e coordenador didático científico do projeto, considera esse apoio fundamenta. “O poder público tem que se aproximar das instituições de ensino da sua região para que elas tenham o que oferecer.”

“Recebemos em 2015 mo prêmio ‘Líderes de vencedores’ em função desse projeto. Até o ano passado éramos a única cidade do estado que fazia uma atividade assim massiva de formação dos seus alunos. Na verdade não só alunos, porque temos de crianças até a terceira idade na formação de programação de computadores”, destacou Teixeira.

Programar ensina a pensar

No início eram oferecidas aulas para alunos do 6°, 7° e 8° anos do ensino fundamental. Hoje o projeto atende também crianças com idade entre 5 e 6 anos no berçário hacker, além de idosos. Há também um programa de aulas de robótica para os dez alunos que mais se destacam na escola de hackers.

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Participantes da escola de hackers (Foto: divulgação)

As atividades com esses alunos permitem aos mestrandos e doutorandos da universidade que atuam no projeto avaliar diversas questões relacionadas à aprendizagem dos estudantes. Um exemplo é verificar se estudar programação pode causar ampliação na memória desses alunos. O estudo se estende também aos dez idosos que começaram a receber aulas de programação este ano.

“Estamos prestando um serviço para a comunidade, ajudando com a questão da programação de computadores e também a desenvolver competências cognitivas nesses jovens. Para programar é preciso saber trabalhar com erro. Precisamos criar hipóteses, criar estratégias, pensar passo a passo. Então isso é ensinar a pensar.”

Adriano destacou que os jovens envolvidos nesse projeto apresentam melhoras em outras áreas de estudo. “Nós conversamos com as professoras e elas dizem que os alunos da escola de hackers sabem, por exemplo, interpretar textos agora, coisa que eles não sabiam.”

Material da Escola de Hackers está disponível para download

Os materiais utilizados nas aulas são básicos e de fácil acesso. Os alunos usam tablets, notebooks e desktops. Os softwares utilizados (scratch jr., scratch2.0 e scratch for arduíno) são gratuitos e compatíveis com os sistemas operacionais Windows e Linux Educacional. Também é possível usar a versão online das ferramentas.

O professor ressaltou que instituições interessadas no modelo que queiram implementar a cultura hacker em suas metodologias estão livres para usá-la. Todo o material desenvolvido está disponível para download no site da escola. Inclusive a apostila que eles usam.

“As pessoas pensam que a escola de hackers é uma marca registrada. Se fosse não seria hacker. O hacker só vale pelo que ele compartilha”, enfatizou.

Letícia Santos

Letícia Santos

leticia.santos@folhadirigida.com.br

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