Formação de professores está defasada frente à tecnologia, aponta especialista

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Nádia Bessa fala sobre desafios na formação de professores
Nádia Bossa em entrevista ao InovEduc

A formação de professores é um assunto cada vez mais em pauta. O cenário educacional mudou e os docentes precisam estar preparados para as novidades que surgem a cada instante na educação.

Com olhar voltado para este cenário, o InovEduc conversou com a Neurocientista e Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) Nádia Bossa para falar sobre a importância de uma remodelagem na formação deses profissionais.

Nádia é responsável pela coordenação de um curso com professores de todo o país no INPEpsin – Instituto Internacional de Estudos em Psicopedagogia e Neurociência -, em São Paulo.

Para ela, apesar do grande avanço tecnológico, os cursos de graduação não acompanharam esse progresso.

“Falo com experiência como aluna na pós-graduação e formadora de professores dentro da universidade. Há um delay entre o que acontece de avanço tecnológico e a formação acadêmica de um modo geral.”

Nádia conta que a ideia do curso nasceu da identificação desta lacuna na formação dos professores. E explica como a Psicopedagogia poderia ajudar neste processo. A metodologia adotada por ela incluiu a formação de grupos de estudo através de redes sociais um mês antes do curso presencial. Desta forma, os professores já entraram em contato com ferramentas que ela considera fundamentais, fizeram exercícios e puderam trocar experiências.

A neurocientista ainda destacou a importância da Psicopedagogia para além da formação dos professores. Seria aplicada nas salas de aula, no direcionamento da metodologia e da didática. “A Psicopedagogia na escola se daria na medida em que essa área de estudos revertesse em conhecimento para a escola e para o professor de maneira preventiva”, afirmou.

Confira em vídeo trechos da entrevista de Nádia ao InovEduc:

Alfabetização com falhas gera fracasso escolar

Nádia também destacou deficiências ainda mais graves e profundas na formação básica dos alunos. Com base em cinco anos de pesquisa que realizou junto às escolas da rede pública da periferia de São Paulo, ela conta ter identificado que 80% dos alunos que concluem o ensino fundamental se encontram na condição de analfabeto funcional. “Esses alunos leem e escrevem sem o domínio das regras e normas ortográficas”, diz ela.

Para a especialista, isso é uma circunstância gravíssima na medida que esses leitores não se valerão efetivamente da competência da leitura e da escrita em sua vida profissional.

Formação de professores é desafio crescente

O discurso de Nádia faz eco com o de outros profissionais da área, como Luciana Allan, diretora do Instituto Crescer para a Cidadania e Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Em recente artigo – intitulado “Quem é o professor da Educação 3.0” -, Luciana destacou que “A formação dos docentes clama por um novo olhar, em que não adianta apenas ser didático e saber ensinar o currículo específico”.

Também com foco nesta visão, alguns cursos de formação de professores já começam a mudar a matriz curricular para formar professores mais “conectados”.

Igor Regis

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igor.regis@folhadirigida.com.br

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