Fórum em SP discute ensino de novas competências na educação brasileira

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Agenda do Brasil para Educação foi debatida

Discutir o aprendizado de novas habilidades e um modelo que torne a escola mais próxima do que exigirá o mercado de trabalho. Esses foram os principais objetivos do 4º Fórum Nacional de Educação e Inovação. O evento aconteceu em São Paulo, na manhã desta terça-feira, dia 3.

Realizado pelo grupo de líderes empresariais Lide em parceria com o Instituto Ayrton Senna, o fórum contou com a presença de executivos das áreas de educação e tecnologia e dos secretários estadual e municipal de Educação de São Paulo, Renato Nalini e Alexandre Schneider, respectivamente. O ministro da Educação, Mendonça Filho, foi um dos palestrantes do encontro.

A abertura do Fórum discutiu o futuro das relações de trabalho e o atual cenário do mercado, no qual as empresas com maior relevância ou nasceram digitais ou passaram por uma reformulação para se adaptar à nova realidade.

O painel contou com a apresentação do CTO da IBM Brasil, Luís Fernando Liguori, que mostrou a revolução criada pelo Watson, plataforma de inteligência artificial da IBM que vem sendo utilizada em diversas áreas para fortalecer o engajamento.

“Não se trata de uma substituição do trabalhador, mas uma soma. Igual ao exemplo de um banco que usa a plataforma para atender o cliente, fazendo com que os atendentes virassem treinadores do sistema cognitivo. Trata-se de mudar as profissões e ensinar as pessoas”, destacou ele.

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A plataforma já é utilizada dentro da educação para tutoria, plantão de dúvidas, brinquedos educativos e até na identificação de habilidades do estudante para customizar o aprendizado.

Liguori também destacou a mutação do ambiente profissional, que hoje exige habilidades que transitam entre diversas áreas e habilidades diferentes.

“Fronteiras entre indústrias estão acabando, e isso influencia as profissões”, afirmou Luís Fernando Liguori, CTO da IBM Brasil.

Relação entre educação e economia

Evento contou com a presença de líderes dos setores de educação e tecnologia

No segundo painel, o economista do Instituto Ayrton Senna, Ricardo Paes de Barros, mostrou dados para ilustrar que o aumento dos níveis de educação do Brasil não se converteu em um crescimento real do país.

“Aumentamos nossos níveis de educação mais que 90% dos países do mundo nos últimos 25 anos. Mas o nosso crescimento econômico só foi maior que o de 40% dos países”, analisou.

Paes de Barros citou o exemplo de Chile e da Turquia. Nesses países, cada ano de escolaridade representa um aumento de US$3 mil e US$4 mil dólares na produtividade anual do trabalhador. O valor chega a US$7 mil no Japão e na Coreia do Sul.

“Se o Brasil tivesse a taxa de conversão da Turquia estaríamos entre os 20% que mais cresceram. Se tivéssemos a da Coréia, estaríamos entro os 1%”, completou.

O economista destacou a necessidade de a educação dialogar com a economia. o que traz para escolas e universidades as competências que serão importantes. “A principal carência do mercado não está na qualificação, mas na falta de habilidades socioemocionais”, finalizou.

Em debate realizado durante o painel, foi citado o exemplo dos Estados Unidos, onde grandes empresas têm vínculos com universidades, realizando processos de mentoria e mostrando as tendências e percursos a serem seguidos em cada área no mercado.

Governo adota agenda de mudanças

“O Brasil investe muito em educação, mas investe mal.”

Foi assim que o ministro da Educação, Mendonça Filho, abriu o terceiro e último painel do evento. Mostrando dados dos recursos aplicados na área em comparação com o PIB, atentou para a necessidade de se reformular a estrutura do ensino básico, que deixou de ser a prioridade nos últimos anos.

O ministro mostrou dados do Pisa. O estudou revelou que os estudantes brasileiros estão abaixo do nível básico em leitura (51%), Matemática (70%) e Ciências (60%).

Para mudar esta realidade, o governo se baseou em três pilares para formar uma agenda de mudanças. O primeiro deles foi a Base Nacional Comum Curricular, que deve começar a ser implementada em 2018 para o ensino médio.

As outras duas medidas da agenda governamental estão concentradas na avaliação dos matérias didáticos e na formação dos professores. “Teremos a destinação de uma parte do orçamento à formação de professores com base na base nacional”, revelou Mendonça.

O titular da educação ainda citou o investimento de R$1,5 bilhão em escolas de ensino integral, fortalecimento do ensino técnico e foco na educação superior para fortalecer a pesquisa e aproximá-la do setor produtivo.

Novas competências são exigências do século 21

Mendonça Filho, Ministro da Educão

O ensino de programação e de robótica também foi assunto. Mendonça afirmou que já existe uma demanda crescente das redes estaduais e municipais de educação. “Temos apoiado com materiais, adquiridos pelo FNDE. Tem merecido atenção por parte do ministério. Vamos apoiar tanto nas questões de materiais quanto na formação de professores, dividindo essa atenção com estados e municípios”, afirmou.

A flexibilidade também foi citada pelo ministro como uma forma de incluir novos elementos dentro da educação básica.

“O MEC está criando um espaço que permitirá flexibilidade e protagonismo juvenil. O currículo se concentrará em conteúdos que vão além das disciplinas tradicionais do ensino médio. Acho que isso tem que ser estimulado e apoiado”, finalizou, citando como exemplo São Paulo e Pernambuco, que já contam com iniciativas de ensino de robótica e programação.

Essa necessidade de flexibilizar o ensino e trazer para a escola novas competências ganhou coro da presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna. Nas considerações finais, a empresária reforçou a importância de se ensinar habilidades socioemocionais.

“Essas novas habilidades são as que o mundo no exige e precisa no século 21. As disciplinas básicas devem significar só a largada, e não a chegada”, concluiu Viviane.

Igor Regis

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igor.regis@folhadirigida.com.br

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