O futuro da tecnologia educacional em análise

WhatsAppFacebookShare
imagem uso tecnologia educacional inoveduc
Nos EUA, preocupação com eficácia pedagógica no uso da tecnologia tem sido mais valorizada.

Uma reportagem especial sobre tecnologia educacional da publicação norte-americana Education Week mostra o quanto as discussões sobre edtech ainda estão atrasadas no Brasil. Por aqui, inovar no processo de ensino ainda está muito ligado a ter ferramentas tecnológicas e trabalhar o máximo de conteúdos possíveis a partir delas.

Nos Estados Unidos, segundo a reportagem especial, a prioridade já mudou. Em vez da preocupação com os dispositivos, a orientação tem sido a eficácia pedagógica no uso dos recursos.

A Education Week é uma publicação que aborda principalmente educação primária e secundária. Com sede em Washington, ela possui 37 edições anuais e sua equipe produz conteúdos especiais em três áreas. Uma delas é voltada para tecnologia educacional.

Veja também:
Vera Cabral fala sobre mercado de EdTech no Brasil em comparação com outros países

Para uma edição publicada no final de junho, a repórter Michelle R. Davis, elaborou uma reportagem na qual ouviu cinco especialistas sobre tendências para edtech, com apoio da Carnegie Corporation of New York. Eles abordaram temas como desafios do ensino personalizado e estratégias tornar a escola um ambiente colaborativo.

Richard Culatta especialista tecnologia educacional inoveduc
Richard Culatta criticou uso da tecnologia apenas para digitalizar conteúdos impressos

Tendência recente no cenário educacional do Brasil, o ensino personalizado também possui obstáculos nos Estados Unidos. É o que destacou Richard Culatta, um dos entrevistados na reportagem. CEO da Sociedade Internacional de Tecnologia em Educação, ele diz que, nos EUA, um dos desafios é criar ferramentas para gerenciar a aprendizagem. “De outra forma, é um fardo incrível para os professores.”

O especialista falou ainda sobre uma de suas maiores preocupações: a tendência que ainda existe na tecnologia educacional de apenas digitalizar materiais didáticos impressos. “Isso não é colaborativo e nem capacita estudantes. Se a tecnologia está sendo usada para isolar alunos, isso é um problema”, comentou.


Crenças dos professores são obstáculos à tecnologia educacional

Peggy Ertmer, também entrevistada na reportagem, analisou um tema comum no Brasil quando se trata de educação e tecnologia. Ao falar sobre as barreiras que os professores enfrentam ao tentar usar recursos tecnológicos, a pesquisadora da Purdue University, em Indiana, ressaltou que crenças dos docentes podem dificultar o uso efetivo das inovações em sala de aula.

A pesquisadora também entende que os melhores professores adotam metodologias nas quais os alunos resolvem problemas. “A tecnologia é apenas uma parte desse ambiente. Ou seja, trata-se da Pedagogia e não da ferramenta que é usada”, completa.

Os especialistas Ginny Hansmann e Steven Langford, que atuam no distrito escolar de Beaverton, no estado do Oregon, também foram ouvidos na reportagem da Education Week. Uma das peculiaridades da instituição onde atuam é algo ainda raro no Brasil. Por lá, profissionais de informática e de educação trabalham lado a lado em projetos e ferramentas de ensino.

Chamado de Future Ready, esse movimento de união entre tecnologias da informação e de aprendizagem promete mudar o conceito de sala de aula. É o que ressalta Ginny Hansmann, que entende que esse sistema valoriza mais a criatividade do que a tecnologia em si. “É toda uma mudança de cultura em relação à inovação para o ensino”, diz o especialista.

Edtech: Ampliar acesso também é desafio nos EUA

Steven Langford especialista tecnologia educacional inoveduc
Para Steven Langford, tecnologia educacional precisa ir além de oferecer dispositivos.

Steven Langford salientou outra mudança de paradigma sobre o futuro da educação. Se, há até pouco tempo, a prioridade era disponibilizar desktpos e laptops para alunos, com a popularização dos dispositivos móveis, o cenário mudou. “Agora, estudantes chegam com telefones nos bolsos e, às vezes, também com Ipad. Não é mais um dispositivo por pessoa.”

Quinto especialista ouvido pela reportagem especial da Education Week, Nicholas Schiner abordou outro gargalo da edtech. Viabilizar o acesso em larga escala a estratégias eficientes de aprendizado é, para ele, a maior barreira nessa área.

O especialista defende que o professor precisa ter acesso “constante e consistente” às ferramentas para facilitar o ensino. “Do contrário, adota a tecnologia de forma superficial, só para usá-la”, ressalta.

Para Nicholas Schiner, no entanto, tão importante quanto avançar na adoção de tecnologias educacionais é usar os recursos para desenvolver a criatividade do aluno.

“Quero que as crianças compreendam como ser criativas de novo, seja com papelão, Minecraft ou codificando um jogo”, completa Nicholas Schiner, que é líder de uma das equipes do Escritório de Projetos de Inovação em Aprendizagem, instituição que incuba e investiga novos produtos e estratégias voltadas para o ensino.

 

Renato Deccache

Renato Deccache

renato.deccache@folhadirigida.com.br

Ver todas as postagens publicadas por Renato Deccache