Jonathan Bergmann: ‘A educação tradicional está morta’

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Jonathan Bergmann: “Tudo o que você ensina está no Youtube”

Mudar a participação do aluno, tornando-o ser ativo dentro do processo de aprendizagem. Transformar o professor e um arquiteto cognitivo, saindo da condição de mero emissor de informações. Essas são as principais mudanças propostas pelo flipped learning, a sala de aula invertida.

A modalidade de ensino foi amplamente discutida no 1º Flipcon Brasil, realizado pela Universia e o Gen Educação, na última quinta-feira (31), em São Paulo.

O evento contou com a presença de professores e gestores educacionais e foi presidido por Jonathan Bergmann, um dos desenvolvedores e principais defensores da flipped classroom. Em sua palestra ele reforçou a necessidade de revolucionar o formato de ensino para acompanhar os avanços tecnológicos e sociais.

“Mudamos a forma de nos comunicar, de transporte, de viajar, assistir filmes, ouvir música de ler notícias e livros. Todos mudaram e a educação não mudou. Existem duas características que encontrei em escolas de diferentes países do mundo: são similares e as mesmas de 100 anos atrás”, destacou o professor.

De acordo com Bergmann, o grande problema não está somente no fato de a educação não ter evoluído, mas de esse sistema estar “desmoronando” por não fornecer ao aluno as habilidades que ele precisa para viver no mundo atual. Em resumo, tirar ele da condição de mero receptor, para um ser ativo no processo de aprendizagem.

“A educação tradicional está morta. Nós estamos vivendo na era em que as pessoas querem resolver problemas do mundo. Na era da criatividade. É necessário preparar o aluno para um mundo incerto e flexível e usar formas para incentivar o seu desenvolvimento” ressaltou.

Como funciona o ‘flipped learning’

“Tudo o que você ensina está no Youtube.” Foi com essa provocação que Jonathan Bergmann se aprofundou no conceito de sala de aula invertida.

Com diz o nome, a lógica do ensino é invertida, fazendo com que o conteúdo passado em aula seja visto pelo aluno em casa, por meio de vídeos, textos, questões ou outras ferramentas interativas. Já o tempo em sala é destinado a discussões, dúvidas e atividades de inteiração entre os alunos, tornando o professor um mediador deste processo.

O conceito se baseia num tripé que consiste em pesquisa, inovação de sala de aula e tecnologia. A pesquisa para medir resultados e implementar melhorias no processo.

Já a inovação na sala de aula tem como objetivo proporcionar um layout mais dinâmico, favorecendo a interação e colaboração entre os alunos. Por fim a tecnologia, para garantir ferramentas necessárias.

Ensino superior x ensino infantil

Gestores de escolas e universidades participaram do evento

Aplicar a sala de aula invertida de baixo para cima ou de cima para baixo? Este foi um dos principais debates proporcionados pelo evento.

Ao se implementar no nível superior você tem a possibilidade de fazer uma mudança em cascata, fazendo com que os professores de amanhã possam ensinar neste formato para seus alunos.

Em contrapartida, ensinando crianças em início de idade escolar e com curiosidade aguçada pode facilitar na formação de um aluno adaptado a este modelo.

A resposta para este impasse veio do próprio Jonathan Bergmann.

“Simplesmente faça, seja na escola ou na universidade, precisamos mudar para uma educação ativa. O que precisamos e de professores dispostos, gestores escolares com know how, tecnologias e ofertas”, reforçou.

Pelo mundo

De acordo com o Flipped Learning Global Initiative, o número de salas de aula invertidas cresce 37% ao ano pelo mudo.

Um dos maiores exemplos é a Islândia, onde 25% das escolas já adotaram o modelo. Na Itália cerca de 100 professores são capacitados por ano para atuar com a flipped classroom. Outras iniciativas de destaque também existem na Australáia, Espanha, Argentina e China.

“O flip existe há 11 anos e está funcionando em todas as esferas de ensino”,  explicou.

Jon, porém, comentou a falta de uma maior mobilização em torno da mudança.

“Vejo muitos professores aplicando isso pelo mundo, mas não instituições aderindo em larga escala. Se você consegue mudar uma aula, você pode mudar uma classe, e assim todas as classes de uma escola, outras escolas e a sociedade.”

Bergmann ainda finalizou com uma analogia. “O bom jogador está onde a bola está. O ótimo está onde a bola estará”, finalizou.

Igor Regis

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igor.regis@folhadirigida.com.br

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