Plataforma digital promete democratizar ensino em Saúde

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Uma nova plataforma começa a ser implementada no segmento de ensino a distância na área médica. Instituições como o Instituto de Pós-Graduação Carlos Chagas, a Academia Nacional de Medicina, UnirioFaculdade Severino Sombra já aderiram ao uso da Plataforma Neo em cursos de pós-graduação. A plataforma, de origem americana, conta com uma equipe composta por cinco brasileiros que trabalham em seu desenvolvimento.
Ricardo Cavalcanti Ribeiro, diretor do Instituto de Pós-Graduação Carlos Chagas, atua no desenvolvimento da ferramenta dentro da àrea médica e afirmou que a aceitação da plataforma já atinge o número de 200%, de modo que se torna difícil até atender a todas as demandas. Ricardo ressaltou, ainda, um dos pontos positivos que mais chamam a atenção em relação a outras plataformas, também voltadas para a área educacional.
“A plataforma Neo oferece a possibilidade do ensino a distância com monitoria, o que se diferencia muito de qualquer outra tecnologia disponível.” Confira a entrevista sobre a plataforma que  promete revolucionar o ensino a distância na área médica.
FOLHA DIRIGIDA – Como surgiu a plataforma?
Ricardo Cavalcanti Ribeiro – A plataforma surgiu inicialmente para música, para que pudesse existir um controle maior sobre o direito autoral das músicas. Então foi lançada na indústria fonográfica, num primeiro momento, e posteriormente começou a ser pensado em utilizá- la na área de educação, mas a base dela é a indústria fonográfica.
Qual é o objetivo dessa plataforma?
Essa plataforma eu poderia definir como o “Pokemon” da educação. Enquanto nós temos um ensino presencial que apresenta dificuldades em relação ao transporte, ao tempo, ou seja, um ensino que apresenta uma certa limitação, e temos o ensino a distância, que é um ensino criticado porque você não tem controle, muitas vezes o aluno entra numa plataforma a distância e fica na internet ou fazendo outra coisa, e essa plataforma difere totalmente disso. Ela está no meio dessas duas coisas, está entre o presencial e o “a distância”. É uma plataforma virtual, mas certificada, com conteúdo e com capacidade de saber que o aluno está ali.

 

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Ricardo Ribeiro, diretor do Instituto de Pós-Graduação Carlos Chagas

 

Como ela funciona?
Cada assunto disponível na plataforma tem um tutor, um professor em tempo real acompanhando. Ela obedece o mesmo princípio de um ensino presencial. Nós temos como identificar, através dessa plataforma, se o aluno saiu no meio da aula, se ele virou a página, se ele passou para a internet. Ou seja, ela é a distância, mas tem essa tutoria que permite um controle total.
Qual o diferencial dessa plataforma para as demais presentes no mercado de ensino a distência?
É possível fazer o reconhecimento do aluno através de quatro níveis de segurança. O primeiro é ao ligar o computador, quando o aluno conecta um aparelho hardlock, um pen drive, e a plataforma só começa a rodar quando esse aparelho é conectado. Ao conectar o pen drive já é possível fazer a leitura da digital do aluno, de modo que somente ele mesmo pode fazer as aulas, pois se for outra pessoa saberemos identificar. Depois, o aluno insere sua senha pessoal, que permite o acesso e, por último, nós temos o reconhecimento facial.
O que essa plataforma representa para as relações de ensino/aprendizagem?
Essa plataforma é uma mudança no paradigma da educação. Eu peguei uma apresentação dentro da plataforma e mostrei a um administrador de empresas que nunca viu nada de medicina; quando acabou ele falou “já sei fazer isso”, porque a riqueza de elementos com que é feito facilita o entendimento. Você tem dois universos, o universo presencial e o universo digital, juntos. Você apresenta quadros, filmes e outros recursos que a tecnologia está nos oferecendo para fazer com que mude o aprendizado, e é essa a ideia.
Como os alunos receberam essa novidade?
Nós temos uma geração de joystick. Essa é uma geração que já nasceu com isso, ela espera isso, já está incorporado no universo dela. Os alunos não querem simplesmente uma aula convencional, porque eles sabem que existem maneiras de fazer isso se tornar muito mais interessante. Então eles receberam muito bem.
De qual maneira, desde a sua implementação, a plataforma colaborou para o aprendizado dos alunos?
Nós temos uma disciplina, anatomia, onde você precisa, tecnicamente, ver cadáver. Hoje, com esse recurso, nós conseguimos trazer o melhor da tecnologia para que o aluno possa assistir a essas aulas de casa. Existem alguns institutos anatômicos no mundo que filmam em tempo real e jogam isso na nuvem, e isso é uma facilidade. Nós trouxemos, também, para Alagoas, um treinamento para dengue, zika e chikungunya. Com isso ganhamos tempo; não precisamos levar um professor lá para explicar para todo mundo. O aluno pode trabalhar durante o dia e à noite fazer a aula online, e pode tirar as dúvidas com um professor em tempo real.
Como é feita a preparação das aulas?
Os professores fornecem os conteúdos que serão transmitidos nas aulas para que técnicos especializados preparem isso colocando as melhores imagens e organizando da melhor maneira. Então, o professor tem o trabalho de explicar a aula para a pessoa que vai preparar isso, e depois ele fica disponível para tutoria.
Como funciona a metodologia das aulas?
Existe uma sequência de aulas disponíveis numa estante virtual. O aluno seleciona qual aula ele quer assistir — por exemplo, ele quer assistir aulas sobre cirurgia do fígado —, e quando ele clicar vai aparecer diversas aulas sobre esse assunto para ele assistir. É como se fosse uma apple store. E além disso tem a questão do tutoriado ,ou seja, as aulas não estarão disponíveis todos os dias para o aluno fazer quando ele quiser, porque é preciso que tenha um professor em tempo real para acompanhar o aluno.
O aluno tem liberdade de acessar a plataforma de qualquer aparelho?
É verificado apenas o nível de conectividade, onde é analisado se o aparelho que está sendo utilizado pelo aluno é propício ou não para acompanhar a aula. Nós dizemos se o aparelho pode ou não ser usado, e se vai funcionar com lentidão.
Qual a importância desse avanço para a área educacional?
Eu acho que é capilarizar a educação. Você consegue levar para o camarada que está no interior do Piauí, ou onde você imaginar, o mesmo nível de qualidade e o mesmo acesso que uma pessoa de São Paulo tem. Você consegue democratizar a educação.
Débora Thomé

Débora Thomé

Editora-chefe
debora.thome@folhadirigida.com.br

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