Professor de Passo Fundo defende conceito da educação hacker

Professor de Passo Fundo defende conceito da educação hacker

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Umas das grandes discussões que envolvem a educação hoje é sobre o modelo de ensino atual cada vez mais obsoleto. Dentro dessa desse cenário, Adriano Teixeira, professor titular do Programa de Pós-Graduação em Educação e Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da Universidade de Passo Fundo (UPF), defende que a educação deve ser hacker.

Adriano explicou que a palavra hacker, normalmente associada a indivíduos que comentem crimes virtuais, deve ser analisada sob outra perspectiva. “Se analisarmos um pouco mais o que significa a palavra hacker veremos que há características que deveriam ser intimamente ligadas ao processo de aprendizagem.”

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Logan La Plante (Foto: Reprodução/YouTube)

O conceito da educação hacker, ou hackschooling, foi criado na Califórnia pelos pais do garoto Logan La Plante, de apenas 13 anos. É baseado, principalmente, na criatividade, na resolução de problemas e no protagonismo do estudante, conforme explicou Adriano Teixeira.

“O aluno deixa de ser objeto e passa a ser sujeito do processo. É uma educação baseada em aplicar a inteligência do aluno naquilo que ele sabe fazer. Ele pode usar isso para resolver problemas reais que vão trazer soluções e melhorar a vida das pessoas.”

Mas, afinal, o que é um hacker?

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Professor Adriano Teixeira (Foto: arquivo pessoal)

O professor, que também atua como coordenador didático científico da Escola de Hackers, destacou quatro características próprias de um hacker: curiosidade, domínio de uma habilidade específica, vontade muito grande de aprender e de resolver problemas da sociedade.

“O hacker é o oposto do cracker, que é uma pessoa com habilidades, mas que usar para o mal. A cultura hacker tem tudo a ver com um conceito de educação que não é o que estamos implementando nas escolas. Hoje temos um modelo verticalizado, baseado no professor. O o aluno é apenas um objeto do processo e onde está tudo pré-definido”, destacou.

Segundo Adriano, esse modelo de educação visa a formar cidadãos para um mundo completamente diferente do que vivemos hoje. O professor enfatizou que para os profissionais do futuro acompanharem essa mudança, a educação precisa se renovar.

“Os modelos atuais não darão conta de formar um indivíduo com as competências necessárias para atuar em um mundo de alta mecanização e de alta informatização. Um mundo de computação cognitiva, de robótica, onde as atividades intelectuais, mesmo sendo intelectuais, serão feitas por robôs”, ressaltou.

Educação hacker ajuda a ressignificar o papel do professor

Os professores são diretamente afetados com essas novas formas de se transmitir conhecimento. Para Adriano, essa é uma oportunidade de esses profissionais enxergarem novas formas de atuação.

“Se o meu papel, minha postura, minha concepção de professor é daquele que se coloca entre o estudante e o conhecimento, daquele que é um veículo, simplesmente, não tenha dúvidas, a tecnologia faz isso muito melhor. Mas nós somos muito mais do que isso. Por isso, precisamos potencializar nossa relevância dentro das instituições de ensino, para que possamos continuar prestando um serviço à comunidade.”

Adriano ressaltou, ainda, que os cursos de licenciatura não estão preparando professores a se apropriarem de forma criativa das tecnologias disponíveis. “As iniciativas ocorrem porque um professor específico gosta de tecnologia, domina muito a tecnologia. Esse professor acaba fazendo umas propostas muito diferenciadas de utilização.”

Resistir ao uso de tecnologias digitais é uma desvantagem

O professor acredita que qualquer profissional, por melhor que seja, estará em desvantagem em relação àqueles que fazem bom uso de tecnologias digitais. Segundo Adriano, embora a educação hacker não exija tecnologia, o modelo educacional é altamente potencializado pelo seu uso.

Adriano criticou, ainda, as leis estaduais que proíbem o uso de celular nas escolas.

“Nós temos uma lei estadual que proíbe a utilização de celular em sala de aula. Isso é uma ignorância, do ponto de vista de ignorar o potencial dessa ferramenta. Elas vão acompanhar esses jovens a vida inteira, inclusive para trabalhar e se formar. Precisamos criar, urgentemente, uma consciência para desenvolver uma forma racional de utilizar a tecnologia no contexto de aprendizagem, e não só para jogo e redes sociais.”

A especialista Nádia Bossa, em entrevista ao InovEduc ressaltou a importância da remodelagem na formação dos professores. De acordo com a especialista, a formação desses profissionais está defasada frente às novas tecnologias.

Letícia Santos

Letícia Santos

leticia.santos@folhadirigida.com.br

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