Professores usam o Facebook como ferramenta de ensino-aprendizagem

Professores usam o Facebook como ferramenta de ensino-aprendizagem

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Para os professores, dividir a atenção dos alunos com as redes sociais é um desafio. Mas para alguns as redes sociais podem ser consideradas ferramentas aliadas ao processo de ensino-aprendizagem.

Este é o caso de Diego Knack, professor de história na Escola Municipal Anísio Teixeira, que usa o Facebook como forma de incorporar a realidade das redes sociais no planejamento de aulas. Para Diego, essa é uma maneira de deixar a escola mais atualizada e atraente para os alunos.

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Diego Knack, professor de História

“Penso que essa é uma forma de se aproximar do universo simbólico do aluno. Precisamos mobilizá-los para o conhecimento que está sendo construído ali. Nós professores temos que conhecer a realidade do aluno, o que ele vê nas redes sociais. Isso é importante; é o conhecimento que ele carrega, e isso tem que ser valorizado, não desprezado”, ressaltou.

Diego mantém com seus alunos um grupo no Facebook para compartilhar informações e conteúdos audiovisuais. Além disso, o professor propõe, há mais de dois anos, diversas atividades por meio da rede social.

Um exemplo foi a produção de memes baseados em contextos históricos, que foi realizada por alunos do 9° ano do ensino fundamental II.

Atividades ajudam a trabalhar o senso crítico dos alunos

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Os alunos participam também de enquetes para escolher filmes que podem ser trabalhados em sala de aula. Fóruns de discussão da matéria que estão estudando no momento e alguns desafios são propostos pelos monitores que auxiliam o professor.

Segundo Diego, além de ser uma forma mais dinâmica para os alunos aprenderem, essa é uma oportunidade de despertar o senso crítico desses jovens em relação aos conteúdos que consomem na internet.

“É importante que a sala de aula seja um espaço onde possamos auxiliar o estudante nesse processo de enxergar criticamente aquilo que ele vê nas redes, o que é muito importante hoje em dia.”

A experiência de utilizar o Facebook como ferramenta pedagógica também foi usada por uma professora de Literatura do Colégio Notre Dame Recreio.

Professora utiliza Facebook para ensinar romantismo

“Precisamos estar mais conectados em falar verdadeiramente a linguagem dos alunos. Se você não procura dar vida a essa literatura que é muito distante deles, a lição é muito enfadonha”, explicou Estela Gomes.

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Estela Gomes leciona Literatura e usa o Facebook com seus alunos

Estela propôs aos alunos do 2° ano do ensino médio que criassem perfis no Facebook e trouxessem para o universo das redes sociais os personagens literários do século XIX.

Os estudantes se reuniram em grupos e trabalharam com as seguintes obras: A Luneta Mágica, A Moreninha, A Escrava Isaura, Inocência, Iracema, Lucíola, Memória do sargento de Milícias, O Guarani, e Ubirajara.

“Estamos estudando romantismo e surgiu essa questão de colocar para o público aqueles personagens que eles identificaram como os principais da trama. Eles foram lendo, pesquisando, buscaram fotos da época e foram procurar também sobre o autor.”

Também foram criados perfis para os amigos dos personagens principais de cada história. “Os personagens não poderiam ficar sozinhos no Facebook; eles tinham que ter amigos. De acordo com a história, os alunos criaram um perfil para os coadjuvantes também.”

Rede pode ser usada em qualquer disciplina

A iniciativa foi discutida em uma reunião de professores, que se mostraram interessados na proposta de atividade realizada por Estela.

“Os alunos gostaram e levei o tema para uma reunião. Isso pode ser aberto para outras disciplinas como História e Geografia, e não ficar preso somente a Literatura. Então eu ‘vendi’ a ideia para outros professores; parece que deu bastante resultado e eles querem investir nisso também”, disse a professora.

Diego e Estela ressaltaram que o engajamento dos alunos em suas respectivas disciplinas aumentou após as atividades com a rede social:

“Existem várias maneiras de o aluno construir seu conhecimento. Acredito que usar a rede social pode ser um dos caminhos”, destacou Diego.

Letícia Santos

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leticia.santos@folhadirigida.com.br

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