Robótica como ferramenta inclusiva no processo de ensino-aprendizagem - Inoveduc

Robótica como ferramenta inclusiva no processo de ensino-aprendizagem

WhatsAppFacebookShare

RobI InoveducA educação escolar é um direito básico para todos. No entanto, a forma como a escola transmite o conhecimento para o aluno é o diferencial para o crescimento pessoal e profissional entre cidadãos.

Atualmente, a tecnologia tem sido a ferramenta de mudança para muitos ambientes escolares e, principalmente, para alunos com necessidades especiais de aprendizagem e socialização.

 

Com isso, além de ser disseminada, a tecnologia também precisa ser inclusiva. Um exemplo dessa prática é a Robótica Inclusiva Livre.

O termo trata de um conceito que aborda o ensino da robótica para crianças e jovens com necessidades especiais.

Pessoas portadoras dos transtornos do espectro autista, Síndrome de Down, TDAH, dislexia, discalculia, entre outros, são exemplos de alunos que a modalidade acompanha.

Escola Roblocks amplia robótica ao ensino inclusivo

De acordo com a Roblocks — escola dedicada ao ensino da tecnologia à criança — a robótica empregada no processo de ensino, tanto de crianças quanto de jovens, não segue o tradicional agrupamento de blocos de montar e módulos pré-programados.

“Uma criança que começa a aprender robótica antes mesmo de ser alfabetizada reúne o pensar lógico e habilidades manuais que tornam seu processo de alfabetização mais fácil e acelerado. Isso é possível porque durante as aulas ela está em contato com desafios que gosta e que sente prazer em aprender; isso faz com que se desenvolva mais rapidamente do que se comparada a uma criança que não recebe os mesmos estímulos”, explicou o neuropsicopedagogo Wilson Bueno, que também é analista de sistemas especializado em robótica e proprietário da Roblocks.

A escola, localizada no interior do Estado de São Paulo, na cidade de Americana, vem se destacando por também adotar o ensino para crianças com necessidades especiais.

“Temos conosco alunos do sistema regular de ensino, em turmas reduzidas, e também alunos com transtornos do espectro autista, portadores de Síndrome de Down, alunos com TDAH, dislexia e outros casos. O que para muitas escolas é simplesmente classificado como ‘um problema sem solução’, nós enxergamos como pessoas capazes de realização, no seu tempo, respeitando seus limites e explorando suas possibilidades”, reforçou o professor, que desenvolveu um trabalho científico-acadêmico envolvendo o ensino de robótica a crianças com necessidades especiais de aprendizagem e socialização.

Para Wilson Bueno, a robótica inclusiva livre leva em consideração, além da necessidade especial do aluno, a facilidade de acesso ao material de construção dos projetos.

Na escola, os alunos desenvolvem os seus próprios projetos robóticos, sejam carrinhos com direção autônoma, robôs que procuram e coletam objetos, até a montagem de sistemas automáticos de gestão do uso da água ou mesmo toda a automação de uma residência, que pode ser controlada por um celular ou tablet.

“É importante salientar que nós não temos soluções prontas. A criança não aprende a encaixar pecinhas e apertar botões com funções pré-programadas. Ela aprende eletrônica digital verdadeira, programação em blocos e não precisa estar alfabetizada para isso; ela tem capacidade total”, afirmou Wilson Bueno.

RobI, o robô que orienta crianças a partir de 3 anos de idade

Neste ano, Wilson Bueno desenvolveu um aparelho de Tecnologia Assistiva baseado em robótica que tem aplicação direta na pedagogia e terapia de crianças a partir dos três anos de idade, portadoras de necessidades especiais ou não.

RobI, como é chamado o robô (Rob = robô; I = inclusivo), diverte, encanta e ensina as crianças por meio de uma atividade lúdica, enquanto o profissional pode explorar aspectos para serem trabalhados, seja no comportamento, na execução de atividades diárias ou na melhora das funções executivas, como um treinamento para o uso do banheiro (transtorno do espectro autista).

Toda a temática é definida pelo profissional que usa o RobI como sua ferramenta, tendo seu elemento condutor (uma espécie de tapete lúdico) desenvolvido individualmente para que se ajuste à necessidade do público que ele atende.

“Esta é uma preocupação importantíssima que temos, pois nenhuma pessoa é igual à outra. Mas quando falamos em crianças e jovens com necessidades especiais de aprendizagem temos que ter a sensibilidade de olhar individualmente para cada caso para que possamos contribuir para o seu desenvolvimento”, concluiu Wilson Bueno.

Atualmente, a Roblocks está presente em instituições de ensino como a Apae de Santa Barbara D’oeste, em São Paulo, e o Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal), entre outros.

Juliana Góes

Juliana Góes

Especial do Jornal de Empregos & Estágios para o InovEduc

Ver todas as postagens publicadas por Juliana Góes