Social Media Week: balanço destaca uso das redes sociais na educação

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Edney Souza (Interney), organizador da Social Media Week

A Social Media Week chegou ao fim na sexta-feira, 19, com balanço muito positivo. O evento registrou um público de cerca de 5.600 pessoas; um aumento de 27% em relação ao ano passado. Durante a semana foram discutidas tendências da comunicação e o papel das redes sociais em diversos setores da sociedade. Foram mais 274 atividades e mais de 300 palestrantes ao longo de cinco dias.

“Tivemos um aumento significativo em relação ao ano passado. Este ano teve uma configuração diferente, que nos permitiu fazer sete atividades simultâneas. Pudemos usar um espaço maior, com mais salas, o que nos permitiu concentrar tudo aqui. Cumprimos o objetivo do evento, que é gerar networking e ter um viés colaborativo”, disse Edney Souza (Inteney), organizador da Social Media Week.

Este ano, uma das grandes atrações foi o prêmio para os principais cases de mídias sociais, em que foi considerado todo o trabalho de redes sociais e não só uma peça em específico. Ao todo foram mais de 60 inscritos.

Na última quinta, 14, o evento contou com uma série de palestras destinadas à educação, abordando o uso de redes sociais e ferramentas interativas na dinâmica de uma sala de aula.

Um dos destaques ficou por conta da coordenadora educacional Luciana Santos, da Rede Brasileira de Criatividade, que debateu o uso do Google Classroom. A plataforma, utilizada para organizar atividades extraclasse, foi desenvolvida com o auxilio de professores. “Em 2014, o Google convocou 100 mil professores para dar opiniões, e em agosto lançou o Classroom”, destacou Luciana.

O aplicativo funciona como um catalisador de outros recursos do Google. É possível fazer um quadro virtual incluindo vídeos do Youtube, arquivos do Drive e até testes elaborados no Google Forms.  Diferentemente do Drive, não é necessário cadastrar e-mails para que os alunos tenham acesso, que se dá por meio de um código passado pelo professor. O aplicativo já é utilizado por mais de 20 milhões de estudantes e professores em todo mundo. “É possível enviar mensagens, fazer testes, criar tarefas e obter relatórios. É uma forma de fazer a sala em um modelo de aprendizagem conectada”, completou Luciana.

#SMW: evento contou com mais de 200 atividades

Social Media no EAD

A presença das redes sociais também foi discutida como forma de gerar empatia em modelos de educação a distância. “A sala de aula é uma rede social. Criando uma dinâmica de interação, eu crio um senso de grupo”, destacou o palestrante JC Rodrigues, professor da ESPM.

O especialista em EAD destacou que é preciso encontrar formas para quebrar o conceito de “não-lugar”, existente no ensino online. Nesse contexto, foi apontado como de extrema importância a criação de um ambiente de transmídia, onde a interação em um rede leva a outra e completa o conteúdo da aula.

“É necessário criar significado para a interação do aluno. Se há um repertório social você cria um senso de pertencimento e o ambiente online acaba sendo mais rico”, destacou. JC ainda citou a utilização de técnicas como o “storytelling” para incentivar a participação.

Snapchat e Psicopedagogia

Em uma das últimas atividades do dia, as psicopedagogas Roberta e Taís Bento falaram sobre a importância dos fatores cognitivos na educação para o desenvolvimento da memória de longo prazo e da memória operacional, que é a usada pelo aluno na realização de uma tarefa ou teste.

As duas desenvolveram um trabalho na rede social Snapchat, dando dicas para vésperas de prova e para assimilar melhor os estudos, todas com base em fundamentos da psicopedagoga.

O canal ganhou grande repercussão e virou um site, o “SOS nos estudos”, uma espécie de Netflix que explica a importância de diversos elementos no funcionamento do cérebro para o aprendizado.

“Não há como tirar a tecnologia, pois esta é a característica do mundo do aluno. É necessário torná-la uma aliada”, destacou Roberta.

Outros cases de sucesso na educação foram apresentados durante o evento, como o Dislexclub. Desenvolvido pelo blogueiro Felipe Ponce, o site ajuda jovens com dislexia a encontrar maneiras de potencializar o desempenho.  Outro bom exemplo foi o do professor Daniel Moscardo, que por meio de um grupo no Facebook conseguiu estimular a realização de tarefas extraclasse, gamificando as atividades.

A Social Media Week volta em 2018, entre os dias 10 a 14 de setembro. De acordo com Edney Souza, algumas mudanças devem acontecer, principalmente em relação a horários, mas a expectativa é de que o modelo seja mantido.

 

 

Igor Regis

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igor.regis@folhadirigida.com.br

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