Startup fatura R$50 milhões com marketplace de bolsas de estudos

Startup fatura R$50 milhões com marketplace de bolsas de estudos

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Profissionais do Quero Bolsa, marketplace de bolsas de estudos, em atuação
Equipe do Quero Bolsa, marketplace de bolsas de estudos, é formada por engenheiros, analistas de dados e outros profissionais.

A startup Quero Educação cresce a passos largos ao mesmo tempo que contribui para ampliar o acesso ao ensino superior no Brasil. Em 2017, cerca de 100 mil alunos conseguiram descontos por meio do programa Quero Bolsa, um marketplace de bolsas de estudos que permite descontos de até 80% nas mensalidades de cursos superiores.

Esse sucesso vem de uma estratégia que une o interesse de milhares de jovens em fazer um curso superior ao de universidades que têm vagas ociosas. Para o segundo semestre de 2017, são 1,3 milhões de bolsas de estudos em mais de 1.150 instituições parceiras. “Como comparativo, o governo federal abriu 150 mil vagas pelo Fies nesse ano. Estamos muito à frente”, diz Marcelo Lima, diretor de relações institucionais do Quero Bolsa.

O mercado é gigantesco. Só no ano passado, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) registrou mais de 9 milhões de inscritos. Considerando-se que cerca de 1 milhão queriam certificação do ensino médio, quase 8 milhões tinham como objetivo entrar na universidade.

o Sisu, o ProUni e o Fies, que são os três principais programas de acesso ao ensino superior do país, ofertaram juntos cerca de 800 mil vagas em 2017. Ou seja: para quase 90% do público-alvo, a opção é o setor privado, sem ajuda do governo.

Faturamento estimado de R$50 milhões para 2017

A Quero Educação é mais um exemplo de um mercado em alta no Brasil: o de startups de educação. Foi criada em 2009, a partir de um modelo bem sucedido nos EUA, em que ex-alunos indicam novos estudantes para as instituições. Não deu certo e logo os criadores partiram para um novo formato. Dessa vez, a ideia era dar uma recompensa a estudantes que ajudassem uma universidade a matricular novos alunos. Também não funcionou.

“Em 2013, adotamos esse novo modelo de trabalhar vagas ociosas nas universidades, que teve muita aderência. Procuramos nos tornar um site de busca e comparação de instituições, trazendo muita informação para o estudante e o auxiliando na tomada de decisão”, ressalta o diretor.

Com taxa de crescimento média de 100% até 2015, o boom da startup veio em 2016, quando o MEC reduziu o volume de recursos do Fies. Se em 2015, o faturamento da empresa foi de R$5 milhões, em 2017, a expectativa é esse valor chegue a R$50 milhões. “Passamos a ser a melhor opção para o estudante que não tem como pagar uma mensalidade”, comenta Marcelo Lima.

Ao entrar no site do Quero Bolsa, o usuário acessa um filtro de buscas por cidade, curso e valor que está disposto a pagar. Como resultado, recebe uma lista de instituições que ofertam bolsas de estudos de acordo com os parâmetros definidos. “Ele pode comparar qual está mais perto de sua casa, do seu trabalho e qual cabe no bolso”, diz Marcelo Lima.

A primeira mensalidade paga pelo aluno vai para o Quero Bolsa. Fora esse valor, não há mais nenhum custo, seja para estudantes ou para universidades. A instituição, no entanto, precisa manter o desconto até o final do curso.

Meta é matricular 200 mil alunos com bolsas de estudos em 2018

Marcelo Lima, um dos diretores do Quero Bolsa, marketplace de cursos online
Marcelo Lima diz que meta para 2018 é matricular 200 mil alunos com bolsas

Para as universidades, o principal atrativo é que, ao entrarem no marketplace, conseguem maior exposição para suas bolsas de estudos. Do contrário, dependem do resultado da busca individual do estudante na internet. “A tendência é que a faculdade que não está no marketplace não seja lembrada”, salienta Marcelo Lima.

A Quero Educação também desenvolve estudos de mercado para instituições parcerias. Um time formado por 200 profissionais – entre engenheiros, programadores, analistas de dados e outros – traça curvas de demanda, relatórios de análise de concorrência e precificação de cursos. Tudo isso sem custo.

A estimativa é que 100 mil alunos sejam matriculados a partir do Quero Bolsa em 2017. Os cursos de graduação presenciais respondem por 80% dessa demanda. O restante está distribuído principalmente por cursos técnicos e de pós-graduação e de graduação a distância.

A meta para 2018 é chegar a 200 mil matrículas. Para isso, a startup mira o mercado internacional, principalmente países da América Latina. Também faz parte da estratégia gerar novos serviços, como oferta de financiamento estudantil e de orientações para aumentar a empregabilidade.

“Queremos também atuar em outros segmentos educacionais aqui no Brasil, como o ensino médio, ensino fundamental e escolas de idiomas. Há muitas oportunidades para crescer”, completa Marcelo Lima.

Renato Deccache

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renato.deccache@folhadirigida.com.br

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