STEAM: conheça a metodologia de ensino que está em alta no Reino Unido

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A famosa convergência digital que integra funcionalidades de diversos aparelhos em um só contribuiu para mudanças de relacionamento e comportamento na sociedade. As crianças nascidas nesse período adquiriram estímulos diferenciados, como explicou o pesquisador de Tecnologia Educacional e Neuroeducação e Consultor Educacional, Sérgio Américo Boggio.
“Sem qualquer dúvida, as crianças que nascem e são educadas nesta sociedade moderna desenvolvem competências cognitivas, competências não cognitivas ou socioemocionais de forma diferente do que ocorria no passado”, citou.
Esse novo estilo de vida abre espaço para a discussão de quais mudanças devem ser feitas no ambiente escolar e nas atuais metodologias de ensino.
Mas o principal questionamento é se de fato essa estrutura de ensino ainda utilizada em grande parte das escolas é realmente eficaz mediante as transformações que vivemos. “O atual modelo padronizado não é adequado para a criatividade e inovação, hoje tão desejada”, disse Sérgio.

A metodologia STEAM

Uma tendência como alternativa aos modelos tradicionais de ensino é o uso da Metodologia STEAM — projetos nessa área tiveram grande destaque durante a Bett Show, maior feira de TICs do Reino Unido, realizada em janeiro último.

“É bem diferente do modelo padronizado onde se tem um espaço para cada atividade e depois o aprendiz é que tem de juntar tudo”, comentou Boggio.

O pesquisador explicou que a essência desse conceito surgiu em 1890, na Universidade de Chicago, quando John Dewey defendeu que a escola deveria ser como uma pequena comunidade, onde os estudantes pudessem se envolver em soluções de problemas reais de forma multidisciplinar.
“Nas últimas décadas, o modelo tradicional de ensino começou a ser questionado e aí os educadores foram rever os antigos conceitos das oficinas e evoluíram para os ambientes educacionais hoje conhecidos por STEAM e MakerSpace”, complementou o consultor, parceiro da empresa Humus, que atua no desenvolvimento de gestores na área de educação.
Nessa metodologia devem ser disponibilizados recursos para que o aluno desenvolva conceitos de Física, Química, Biologia e suas aplicações tecnológicas de maneira estruturada. Tudo permeado pela Matemática, mas com liberdade artística.
“Nesses ambientes educacionais desenvolvem-se também competências como autonomia, curiosidade, sociabilidade, resiliência, perseverança, entre outras, importantes para o sucesso individual e em sociedade”, esclareceu o especialista.
Dentro desse modelo de ensino, o professor aborda em aula um tema do cotidiano que desperte dúvidas nos alunos. Em grupos, ou individualmente, eles estudam todas as possibilidades do tema para chegar a conclusões e possíveis soluções sobre a questão proposta. Essas soluções podem ser em forma de textos, vídeos, montagens concretas, entre outras.
Durante esse processo, o professor dá suporte aos alunos, porém, sem direcioná-los para determinado resultado. “Essa é a grande mudança comportamental do professor. Ele passa a ser um observador, evitando acidentes, mas permitindo que os alunos façam suas descobertas, mesmo que tropeçando em alguns erros”, disse Sérgio.
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Uso de novas metodologias na educação

Ainda de acordo com o consultor, as instituições que em um passado recente aderiram às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) apresentaram um grande diferencial perante as demais. “As escolas que implantaram TICs de forma pioneira ensinaram professores, pais e alunos a utilizarem esses recursos tecnológicos, mesmo que não fosse para ensinar as disciplinas curriculares.”
Atualmente, não é preciso mais ensinar essas tecnologias; o desafio é saber fazer um bom uso delas. A incorporação de metodologias digitais não só democratizou o conhecimento, como ainda alterou as relações entre alunos e professores.
“A incorporação das TICs nas atividades educacionais exige revisão profunda da concepção educacional da escola, levando em conta seus aspectos culturais, regionais e disponibilidade de recursos tecnológicos por parte de alunos e professores”, explicou Sérgio Boggio.