Unicarioca lança mestrado em Novas Tecnologias Digitais - Inoveduc

Unicarioca lança mestrado em Novas Tecnologias Digitais

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A partir do primeiro semestre de 2017, o Centro Universitário Carioca (Unicarioca) estará ministrando um curso de mestrado em Novas Tecnologias Digitais na Educação. As aulas terão início em março, e o curso terá duração total de dois anos. Inédito no Brasil, o mestrado estará disponível na modalidade ‘stricto sensu’. A instituição já possuía um Núcleo de Computação Aplicada onde começaram a desenvolver estudos sobre nosvas tecnologias voltadas para o ensino.
Os interessados em participar do processo seletivo devem realizar uma pré-inscrição no site e enviar carta de intenção, currículo lattes e os demais documentos exigidos. O candidato passará por uma entrevista após a etapa de análise do material enviado. Outras informações podem ser consultadas no site da instituição.
Os principais idealizadores desse projeto foram o professor Antônio Carlos de Abreu Mól, coordenador geral do curso, doutor em Engenharia Nuclear que trabalha na Comissão Nacional de Engenharia Nuclear mas há anos se dedica também à área educacional, pois acredita que essa é uma maneira eficaz de contibuir para o seu país. A professora Ana Paula Legey de Siqueira, coordenadora adjunta, é doutora em Educação e pós doc em Divulgação Científica, e assim como Mól sempre procurou direcionar sua carreira para a área acadêmica.
Qual o objetivo de criar um curso inédito voltado para Novas Tecnologias Digitais na Educação na área de Educação? Qual o público- alvo?
Antônio Carlos de Abreu Mól – Nosso mestrado tem como objetivo tentar capacitar profissionais das mais diversas áreas do conhecimento, tanto aquele professor do ensino fundamental ou médio precisa ser capacitado para usar essas novas tecnologias, como também os próprios desenvolvedores. Nós temos dois públicos: um é o que vai ter que aprender a usar essas tecnologias digitais no seu cotidiano de trabalho, na escola, no ensino corporativo, ou em uma divulgação científica, e os outros são os desenvolvedores, profissionais da área de design, da área de computação, que vão saber o que desenvolver para atender essa área de ensino e educação. É um mestrado na área interdisciplinar. Eu sou da área tecnológica, a professora Ana Paula está na área de educação; o professor Luís Alfredo, que é um colaboradores do mestrado, está à frente da área de neurociências. Estamos juntando várias competências.
Ana Paula Legey de Siqueira – Os alunos serão estimulados a pensar em questões sobre como desenvolver, para que público alvo, que tipo de linguagem se deve usar. Tudo isso faz parte de um rigor metodológico e científico para trabalharmos o desenvolvimento pensando em um público específico e o professor tem que estar capacitado para utilizar isso também.
Qual a importância de um curso de mestrado nessa área?
Antônio Mól – Vamos apresentar aos nossos alunos o que mais tem de avançado na tecnologia. Mas não é implesmente mostrar a tecnologia, é estudar como melhor utilizar na sala de aula. Por isso o mestrado é importante. Não é só apresentar e falar que usa, é fazer estudos sistematizados para você ver a melhor forma de utilizar este ou aquele recurso na sala de aula.
Ana Paula Legey – Esse mestrado vai transformar o aluno que vai cursar ele em um cidadão para pesquisa científica porque se aquele profissional tem uma problematização de onde ele trabalha, e esse problema tem que ser solucionado, são as novas tecnologias digitais que vão solucionar esse problema que ele traz do seu trabalho, da sua prática profissional.
Em quais áreas o mestrando poderá atuar depois?
Antônio Mól – Na verdade, nós imaginamos dois grandes perfis. Esperamos aquele profissional que já atua de alguma forma na área de ensino formal (dentro da sala de aula, ensino médio, fundamental ou superior) ou não formal (ensino corporativo) e profissionais que atuam em àreas tecnológicas, nas áreas de computação e design e afins. Vamos dar oportunidade para aqueles que fizeram física ou matemática e já têm uma facilidade para área tecnológica ter oportunidade de cursar disciplinas específicas para desenvolvedores. Agora para aquele professor da área de história ou geografia, por exemplo, que não quer ser um desenvolvedor, ele vai conhecer a ferramenta, mas em nível de conhecimento.
Ana Paula Legey – Na verdade, colocamos como público alvo formados em qualquer área que queiram ser melhor capacitados para trabalhar com novas tecnologias digitais na educação. Então, pode ser um gestor numa escola pública, um diretor que queira estar melhor formado dentro do objetivo que ele vai traçar, o professor dentro da sala de aula que vai atuar melhor e vai ser multiplicador naquela escola para outros professores também.
Como foi a elaboração da grade curricular?
Antônio Mól – Nós pénsamos nos pilares para formar o aluno. Então nós temos uma base tecnológica, disciplinas básicas de formação em recurso tecnológico que serão obrigatórias e apresentarão para o aluno as principais tecnologias que existem hoje, e disciplinas básicas sobre a teoria da aprendizagem, também obrigatórias. E terá trambém disciplinas eletivas que serão disciplinas específicas para educadores ou desenvolvedores, além de disciplinas sobre neurociência.
Como serão estruturados os laboratórios?
Antônio Mól – Temos alguns laboratórios que a unidade já possuía, como os laboratórios de informática, e temos um laboratório novo, onde vamos mostrar como usar os diversos recursos digitais disponíveis. É uma sala totalmente dinâmica, e nela será mostrado como usar as tecnologias na sala de aula. Tem também o Nucap, que o aluno, junto com seu orientador, poderá utilizar para fins de desenvolvimento de projetos.
O curso está relacionado ao avanço das tecnologias na sala de aula?
Antônio Mól – Sem dúvida existe um grande avanço na tecnologia, principalmente depois da internet. Nos últimos anos, a realidade virtual tem chegado muito forte, começou com uns filmes 3D, os parques da Disney utilizam muito e alguns jogos também, e o mundo está acompanhando isso, os alunos estão vendo isso; só que essa tecnologia não chegou na sala de aula ainda, e se chegou, foi sem metodologia, aí você não sabe se isso está ajudando ou atrapalhando.
Ana Paula Legey – Em algumas escolas a gente vê alguma coisa, alguma tentativa de uso dessas tecnologias, mas sem ser de forma sistematizada. A tecnologia está a serviço do cidadão no cotidiano, para entretenimento, e se está no cotidiano do cidadão está no cotidiano do professor. Mas o questionamento é se o professor sabe usar essas ferramentas em sala de aula.
De que forma a tecnologia pode impactar o ensino nas escolas públicas e privadas tendo em vista as diferenças pedagógicas entre as duas áreas escolares?  
Antônio Mól – Existe uma diferença entre as duas escolas, mas não é tão grande como nós falamos. Lógico que existem escolas privadas com mais recursos que outras, mas hoje em dia pessoas de quase todas as classes sociais têm celular, e isso já é um recurso. Acredito que o recurso tecnológico é o de menos, pode ser o recurso mais avançado ou os recursos mais básicos que normalmente já tem nas escolas, mas o maior problema é a capacitação dos professores para utilizar esses recursos. E a mesma forma no ensino privado, o que se observa nessas escolas é maior recurso tecnológico o que possibilita explorar um pouco mais.
Ana Paula Legey – O fato de as escolas particulares possuírem mais recursos não significa também que seus professores estejam capacitados para para trabalhar com esses recursos. Os dois grupos carecem de professores capacitados para o uso dos recursos.
Há um desprepeparo entre os educadores em geral para trabalhar com as novas tecnologias e as redes sociais dentro da sala de aula? 
Antônio Mól – O mestrado serve para descobrir isso. Quando você faz uma pesquisa no mestrado, você tem hipótesese e não afirmações. Será que o uso das redes sociais está agregando, está trazendo maior efetividade na forma de ensinar ou não está? E não está por quê? Por que o professor não está qualificado? Então tem toda uma metodologia para você fazer uma pesquisa, pra você ter uma resposta para isso.
Ana Paula Legey – As redes sociais são, hoje, importantes ferramentas de informação e comunicação, e muitas vezes elas são ferramentas importantes de geração de saberes, de conhecimento. Só que o próprio professor pode impor o limite dele, se ele não impõe um limite e ele nem mesmo sabe utilizar essa tecnologia obviamente não vai dar certo.
Débora Thomé

Débora Thomé

Editora-chefe
debora.thome@folhadirigida.com.br

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