Unir tecnologia e educação requer planejamento, diz especialista

Unir tecnologia e educação requer planejamento, diz especialista

WhatsAppFacebookShare

A forma de inovar nas metodologias de ensino, unindo tecnologia e educação, talvez seja uma das maiores discussões de hoje na área. Mariana Orchs, designer e especialista em tecnologia na educação pelo Google Certified Trainer, falou sobre formas de viabilizar o uso de novas tecnologias em sala de aula na palestra – “Educação em transformação”, durante o recente evento HackPUC, no Rio de Janeiro.

“As escolas sabem que a escola brasileira está defasada em relação a essa cultura da informação que vivemos. E os gestores sabem que a tecnologia é parte da solução”, afirmou Mariana

Mariana Orchs fala sobre tecnologia e educação
Mariana Orchs na palestra da HackPUC

A especialista ressaltou que ainda há muita confusão quando se quer aliar tecnologia e educação. “As pessoas realmente não sabem o que significa integrar a tecnologia na escola. Se precisa colocar equipamentos, se elas têm que adotar novas plataformas de ensino, ou se isso significa que tem que alterar oferta curricular, colocando aulas de robótica ou de programação, por exemplo.”

Ferramentas tecnológicas, como o celular, ainda são proibidas em escolas

Mariana destacou ainda uma prática muito comum em instituições de ensino brasileiras. “Quando chegamos nas escolas, encontramos uma placa que diz que não pode usar celular ali. Isso é uma coisa absolutamente anacrônica, mas é uma lei em vários estados e municípios do Brasil que continua vigente.”

Segundo ela, proibir essa conexão é uma oportunidade perdida de democratização do acesso à informação. Além disso perde-se também a chance de apoiar de novos recursos no ensino e aprendizagem. A sugestão da especialista para que esse processo de integração seja bem sucedido é fazê-lo de forma gradativa.

As dicas da especialista para unir tecnologia e educação

#1 – Tecnologia para quê?

Segundo Mariana, a primeira pergunta que um gestor deve se fazer quando pensar em implementar soluções tecnológicas em sua escola é: “Qual será a utilidade daquela tecnologia? Para que será utilizada?”

“Quando colocamos a tecnologia no centro do processo, o que acontece é que vamos na onda do equipamento que está na moda e aí a escola faz o maior investimento e vemos uma distância muito grande entre o que a escola investiu e o uso que realmente está sendo feito daquela tecnologia”, destacou.

Mariana enfatiza ainda que essa atitude pode gerar um ciclo de frustração nos professores, que são capacitados e se habituam a utilizar um equipamento que depois é descontinuado.

#2 – Qual tecnologia usar?

A especialista explicou que depois de determinada a necessidade do uso de tecnologia, aí sim chega o momento de definir qual serão os equipamentos e ferramentas utilizadas.

Neste momento professores e gestores devem definir quais serão os equipamentos que se encaixarão melhor às atividades previstas para os alunos em classe.

#3 – Quem vai usar?

Mariana afirma que todos devem estar alinhados nesse processo de integração e fazer uso das tecnologias. Mas ressalta que unir tecnologia e educação é um processo lento de transformação de cultura.

“Primeiro é preciso fazer formações para uso cotidiano das ferramentas. Depois, dependendo da configuração da escola, começa-se gradualmente o uso pontual de algumas tecnologias, alguns projetos. Após esse processo, finalmente é feita a transformação da sala de aula com atividades totalmente modificadas.”

#4 – Onde e quando usar essas tecnologias?

“De preferência em todos os lugares, porque queremos que seja uma coisa presente e orgânica na escola de várias maneiras e a mobilidade é um princípio fundamental”, aponta.

De acordo com Mariana, o fato de a tecnologia ser móvel e poder ir até a sala de aula, derruba barreiras. Esse fator permite aos alunos explorar novas possibilidades. Um exemplo é poder se comunicar com alunos de outras salas de aula, até fora do Brasil ou fazer viagens por meio de realidade virtual.

#5 – Como vamos impactar o ensino e aprendizagem com isso?

“Aí entra o que acho essencial nesse processo de transformação: que o aluno deixe de só consumir conteúdo e passe a ser um produtor de conteúdo.”

Mariana destaca que investir na formação de professores deve ser uma etapa importante deste processo.  O objetivo é que qualquer professor de qualquer disciplina consiga orientar os alunos para essa produção. “Dentro desse percurso, os alunos não estarão mais consumindo, e sim pesquisando, refletindo, conectando as coisas que encontram, criando e publicando para uma audiência real”, diz ela.

Leia também: Aplicativo ‘Simplifica’ faz correção automática de provas

Letícia Santos

Letícia Santos

leticia.santos@folhadirigida.com.br

Ver todas as postagens publicadas por Letícia Santos