Novas leituras entre o papel e a tela

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Marcio Gonçalves
Escrito por Marcio Gonçalves

As ideias que você lerá neste texto saíram da minha cabeça e foram digitadas em um iPhone 7 dentro do bloco de notas. Não mencionei isso em outro artigo publicado aqui, mas aqueles outros textos também foram escritos do mesmo jeito que este. Neste eu não poderia deixar de confessar o processo de produção.

Sabe o porquê? Porque olha o título.

É bem provável que você o esteja lendo em uma tela de celular, de tablet ou de computador portátil. Mas também não descarto a possibilidade de ele estar impresso. Afinal, as novas leituras envolvem o papel e a(s) tela(s).

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Já foi surpresa um aluno chegar para mim e mostrar na tela do celular se o livro que ele tem em arquivo digital serviria para o trabalho final dele. A sensação foi mais estranha ainda quando eu me via com o aparelho na palma das minhas mãos e tendo que responder se sim ou se não.

Naquele momento, o livro impresso, que eu valorizo tanto, não perdia o valor dele.

Era apenas uma leitura na tela de um dispositivo móvel e leve.

Era o início dos novos suportes de acesso à informação.

Liberdade na ponta dos dedos em contato com a tela

A tela sempre foi uma metáfora representativa dos suportes por onde a informação circula. Há quem use o nome de ecrã para fazer referência à superfície plana. Nos dias de hoje a tela ganha maiores proporções tanto no ambiente online quanto no offline.

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Somos guiados a pensar em formatos de tela quando, por exemplo, usamos uma metodologia ágil chamada Canvas. E o que significa Canvas? É tela também. Só que, muitas das vezes, guiada por um suporte impresso. Aplicativos de gerenciamento de atividade, como o Trello, por exemplo, também trabalham com a gestão por telas.

Se eu ainda continuo digitando este texto no smartphone, devemos lembrar da tecnologia do toque na tela. O filósofo Villém Flusser, na década de 1980 do século XX, já previa o “touchscreen”. O mais curioso é a afirmação feita por ele à época: a de que o homem ganharia liberdade quando começasse a usar mais a ponta dos dedos. Não é que ele estava certo?

Até o final do artigo eu devo apenas fazer isso: tocar com os meus dedos uma tela e digitar tudinho. Todo o fluxo deve seguir assim. Eu vou terminar o raciocínio, vou copiar e colar o texto no corpo do email e vou encaminhar para minha editora aqui do portal. Tudo feito conforme pensou Flusser.

Proponho um desafio, para finalizar

Cada vez mais nós vamos ler e produzir conteúdo em diferentes telas. Poderemos tocá-la para que o estático ganhe movimento. Outro dia, em um restaurante, a diversão de uma criança de berço era tocar na tela de um celular que estava de frente para ela. Só com a pontinha dos dedos, sem mesmo saber ler, ela era guiada pelo movimento das imagens e do áudio.

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Quem tem mais de 40 anos, pode confessar: a gente não foi uma criança que praticava este tipo de interação. Nossas telas eram outras. O televisor, que nossos responsáveis ligavam no canal que a maioria da família tinha que concordar em assisti-lo, ainda estava no controle deles.

Agora são novos tempos. O desafio é acessar conteúdo de valor uma vez que a liberdade de acesso está no comando da ponta dos nossos dedos.

Eu já vou terminando por aqui, mas deixo um desafio, principalmente, para os professores e educadores que nos lêem. Que tal criar um exercício com a turma para a produção de uma narrativa feita em diferentes telas?

Use a imaginação e trabalhe com a equipe as diversas possibilidades de produção de escrita nos mais diversos suportes. Tire fotos e mande para a gente. Vamos ver com quantas telas se faz uma boa produção de conteúdo.

Marcio Gonçalves

Marcio Gonçalves

Líder do projeto “Aula Sem Paredes”, professor de cultura digital do Fundamental I e II na Escola Eliezer Max e docente no Ibmec, na Facha e na Unesa