Picting na sala de aula? Saiba como usar Snapchat, Instagram e YouTube

Picting
Diana De Medeiros
Escrito por Diana De Medeiros

O que é picting?Você sabe o que é picting? É nada mais do que a maciça utilização de fotos e imagens (“pictures”) — em vez dos textos tradicionais — para transmitir ideias e conceitos. O termo surgiu com boom das redes sociais e já começa a ser usado na área de educação.

Em artigo para o site EdSurge, a professora Chrissy Romano-Arrabito, especialista em ensino fundamental e médio, fala sobre o assunto e afirma que é, sim, possível usar as redes sociais como ferramentas nas salas de aula. Confira o texto:

“Todos já ouvimos isso antes: ‘Uma imagem vale mais do que mil palavras’. Esse famoso conceito (ou seria um clichê?) apareceu pela primeira vez em um jornal de 1911 e tem sido amplamente utilizado desde então. Na sociedade de hoje, no entanto, a frase assumiu um novo significado. O uso de imagens em vez de texto para transmitir ideias – conhecido como ‘picting’ — está se tornando norma entre os alunos da era digital de hoje.

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O picting em números

  • O Snapchat, um aplicativo móvel que permite aos usuários capturar vídeos e imagens que desaparecem após alguns segundos, tem mais de 173 milhões de usuários diários e o número médio de Snaps por dia gira em torno de 2,5 bilhões.
  • O Instagram, um aplicativo de rede social para compartilhar fotos e vídeos, conta com mais de 400 milhões de usuários diários.
  • O YouTube, o site de vídeo mais popular da Web hoje, possui mais de 5 bilhões de vídeos. Aproximadamente três em cada quatro adolescentes estão em algum tipo de plataforma de mídia social nos dias de hoje. Em suma, o picting chegou de vez.

Seria o picting a nova alfabetização?

A tecnologia está mudando a maneira como vemos a alfabetização. Cathie Norris e ElliotSoloway — professores universitários que estudam quanto tempo gastam os jovens de hoje com materiais baseados em texto versus materiais baseados em imagens — estimam que 90% do tempo de sala de aula K-12 (designação para a educação primária e a educação secundária como um todo) nos EUA é gasto com materiais baseados em texto e 10% com materiais baseados em imagens. Mas fora da sala de aula, 90% são gastos com materiais baseados em imagens e 10% com materiais baseados em texto.

“Um novo tipo de alfabetização está emergindo, mas em vez de abraçá-lo,
a maioria das escolas está se afastando dele.”

Como Kayla Delzer diz em um recente artigo da EdSurge, ‘as mídias sociais estão acontecendo — com ou sem você’. Os alunos estão indo para a escola com uma pegada digital estabelecida. Eles estão no Facebook, Twitter, no Instagram e no Snapchat antes mesmo de entrar em nossas salas de aula.

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Como usar essas ferramentas de mídia social 

Aqui estão aplicativos de criação de imagens que darão aos alunos autonomia sobre seu aprendizado, possibilidade de compartilhar sua cultura de sala de aula e tornar suas aulas mais atrativas.

InstagramInstagram

Considere adicionar um especialista em redes sociais ou um fotógrafo em sala de aula para capturar momentos memoráveis, mostrar o trabalho do aluno ou contar a história de sua sala em imagens e postar nas contas de sua turma. Você pode se surpreender ao ver o que os alunos valorizam e querem compartilhar com o mundo, ao contrário do que o professor poderia imaginar.

Uma maneira divertida de inserir o Instagram na sala de aula é apresentar um ‘Estudante da Semana’. Peça ao seu profissional de picting para documentar uma semana na vida desse aluno e publique essas fotos no final da semana. O importante é que o próprio aluno escolha as imagens que ele quer usar para contar sua história.

Os alunos podem tirar uma foto de seu livro favorito e usar hashtags e o recurso de comentário para convencer os outros por que eles devem ler aquele livro.

Para os alunos mais jovens: dê-lhes um dispositivo e envie-os para uma “caça ao tesouro ABC”. Peça-lhes que captem imagens ao redor de sua sala de aula, escola ou casa que representam a letra do alfabeto que estão aprendendo naquela semana.

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Desafie os alunos mais velhos para criar histórias atraentes usando toda a gama de recursos Snapchat, como filtros, emojis e a ferramenta de desenho. As histórias nem sempre precisam ser sérias. O Snapchat permite que as crianças se divirtam com narração de histórias.

Uma de minhas atividades preferidas, que está refletindo positivamente na leitura dos meus alunos é o #BookSnaps, uma maneira de tornar a aprendizagem e o pensamento visíveis. Confira o blog de Tara Martin para aprender os prós e contras de como começar com esta atividade legal.

Para estudantes mais jovens, como os meus alunos da terceira e quarta série, usamos o Google Drawings para criar nosso #BookSnaps e depois compartilhá-los no Twitter, Facebook, Instagram e Seesaw*.

O Snapchat também é perfeito para estudantes gravarem avaliações de livros. As crianças podem gravar vídeos rápidos dando suas recomendações sobre o último livro que leram.

Finalmente, a maioria dos alunos está aprendendo uma língua mundial na escola. O Snapchat é uma maneira fácil para as crianças praticarem a fala. Os alunos mais jovens podem gravar-se praticando o vocabulário, enquanto os mais velhos podem conversar no idioma que estudam com outros alunos ou com o professor para aprimorar suas habilidades orais.

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A maioria das pessoas, principalmente as crianças, são consumidores de vídeos do YouTube. Incentive os alunos a serem criadores e colocá-los no ‘banco do motorista’ para criar conteúdo de vídeo em vez de apenas assistir ao que os outros produziram.

Eu tenho um aluno que recentemente descobriu que a sua conta do Google for Education também lhe deu seu próprio canal no YouTube. Ele gasta horas em casa e durante o recesso na escola fazendo vídeos que explicam alguns dos conteúdos de matemática mais difíceis que cobrimos de maneira amigável aos meninos.

Recentemente, expliquei-lhe o que é um screencast (vídeo filmado a partir da tela do computador) e que ele também pode criá-los usando os aplicativos Screencastify, Educreations, Explain Everything ou Even Seesaw. Em seguida, pode postar no seu canal do YouTube. Estimule seus filhos fazerem seus próprios vídeos de tutorial. Qual o melhor caminho para as crianças do que aprenderem umas com as outras?

Uma ideia semelhante é gravar lições de alunos para ensinar outros alunos. Esses vídeos podem ser compartilhados no canal da turma no YouTube ou no canal individual de um aluno. Você tem a opção de torná-los não listados (em vez de públicos) se você não deseja compartilhá-los com o mundo. A ideia aqui é que quando os alunos forem para casa e precisarem completar problemas de prática ou estudar para um teste, terem um vídeo amigável para crianças e poderem assistir no caso de dúvidas.”

 *A autora cita ainda as diversas funcionalidades do Seesaw – plataforma que funciona como um portfólio digital de trabalho e monitoramento da atividade escolar dos alunos, utilizada nos EUA. Segundo ela, é mais uma forma de compartilhamento de conhecimento e empoderamento dos estudantes. “Meus alunos sempre têm a opção de escolher como eles querem mostrar o que eles sabem. Muitos escolhem a opção de vídeo, especialmente meus alunos com dificuldades. Eles preferem se expressar usando o vídeo ou a ferramenta de desenho.
“O resultado desejado do uso das mídias sociais na sala de aula é proporcionar oportunidades para que os alunos usem sua voz, se envolvam em cidadania digital positiva e criem conexões com o mundo real que envolverão e motivarão outro aluno”.

 

 

 

 

 

 

Diana De Medeiros

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