O que é personalização do aprendizado?

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selo-o-que-eCada pessoa é única e tem a sua forma de aprender e assimilar algum conteúdo novo. Essa é a essência da personalização do aprendizado, definida como a consciência de que cada aluno é único na forma, nos tempos e na escolha do processo de aprendizagem.

Para Americo Mattar, diretor-presidente da Fundação Telefônica Vivo, o aluno deve transformar a escola em um espaço de protagonismo, onde cada um, devidamente assessorado, trace o próprio caminho de desenvolvimento.

Segundo Mattar, a Fundação defende que a beleza da humanidade consiste justamente nas diferenças que caracterizam os indivíduos.

Para o diretor-presidente, se as escolas desejam que as crianças aprendam é necessário compreendê-las individualmente e orientá-las. Dessa forma, terão mais oportunidades de atingir todo seu potencial.

Plataformas digitais apostam em games para personalizar o ensino

A tecnologia é um instrumento importante na personalização do ensino. De acordo com Mattar, é possível utilizar ferramentas tecnológicas de maneira pedagógica para potencializar o aprendizado. Um exemplo são os jogos e objetos digitais de aprendizagem, como os oferecidos pela Escola Digital, a Khan Academy e outros.

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Inúmeras plataformas digitais propõem atividades em forma de jogos. Isso possibilita gerar relatórios em tempo real sobre a evolução do desempenho de cada aluno.

“É possível ter um acompanhamento do processo de aprendizagem do estudante de outras formas. Por meio de conversas estruturadas entre aluno e professor em intervalos fixos, no acompanhamento de suas jornadas educativas registradas em diários ou portfólios de trabalhos ou na avaliação entre colegas professores”, exemplificou o diretor-presidente da Fundação.

Porém, Mattar ressaltou que o fator de sucesso sempre está relacionado à escuta e à observação atenta do professor aos interesses, necessidades e habilidades de cada estudante. Além de afirmar ser de fundamental importância a mudança do papel do educador, por ser o ator mais importante do processo de personalização.

“O professor precisa se conscientizar que ele agora não é mais o ‘detentor de todo o saber’, mas um curador e guia dos alunos na busca pelo conhecimento. Deve entender que ele não ‘ensina’, mas auxilia seus alunos a aprender.”

Qual é a proposta da personalização do aprendizado

Uma das propostas da personalização é ter uma escola mais conectada com as necessidades dos jovens. O ambiente escolar tem de ser mais aberto e interessante para conseguir, de fato, formar as novas gerações. “O ensino que temos hoje foi desenvolvido no século XVIII, e sua base ainda segue esse formato.”

Por isso, é preciso conectar as escolas à internet, além de rever os espaços físicos e redesenhar, em conjunto com os professores, o seu papel em sala de aula. É necessário permitir ao estudante assumir o protagonismo do próprio aprendizado e, consequentemente, da própria vida.

O termo “personalização do aprendizado” não deve ser confundido com outros conceitos distintos. Saiba como diferenciá-los:

 

Para pensar em uma educação personalizada é necessário imaginar uma forma de avaliação do rendimento do aluno. O papel do professor será de acompanhar um a um. A equipe pedagógica deve criar meios de conhecer as habilidades e competências de cada aluno e como ele está se desenvolvendo.

“Periodicamente, esses meios de verificação devem ser aplicados. Sempre que possível, devem ser adequados aos aprendizados desenvolvidos individualmente. É importante identificar quais habilidades e competências foram efetivamente apreendidas pelos alunos.”

Como implementar a personalização nas escolas

Americo Mattar explicou que existem diversas maneiras de implementar a personalização, e que as escolas estão encontrando caminhos para colocá-las em prática. São alguns exemplos:

– reconfiguração do aprendizado
– disponibilização dos roteiros educativos
– flexibilização das escolhas do estudante na constituição do percurso formativo

Não existe uma regra sobre a personalização. Cada escola pode iniciar seu próprio processo. Mattar sugeriu que o primeiro passo seja uma imersão no tema. A discussão deve envolver todos os atores da comunidade escolar para refletir sobre o currículo. O produto final é um documento, validado por todos, que se tornará um compromisso e uma espécie de guia.

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A decisão sobre o caminho que a escola e a comunidade deverão construir deve ser tomada em conjunto. Em uma reunião pedagógica ou em um encontro com os pais. São esses momentos que devem gerar proposições coletivas. Mas é preciso ter em mente que uma reorganização de conteúdos e métodos pode demorar. Por isso, é necessário ter tranquilidade e implementar com calma, além de iniciar com pequenas ações.

“O importante é perceber que há mudanças em curso, que algumas coisas estão acontecendo. E que, desse modo, a escola está se movimentando e inovando”, disse o diretor-presidente da Fundação.

Americo Mattar ainda acrescentou que uma reflexão sempre é importante nesse processo. E sugeriu alguns questionamentos:

  • Estou respeitando a individualidade do aluno?
  • Como tenho tratado a sua liberdade?
  • Como encaro/trabalho sua autonomia?
  • Como estimulo sua capacidade de comunicação?