Painel de inovação debate ensino maker e inteligência artificial na GEduc 2018

Igor Regis
Escrito por Igor Regis

Painel destacou a a importância do aprendizado mão na massa

Um pequeno desafio foi proposta para formados do MIT durante a formatura: “Você consegue ligar uma lâmpada com uma pilha e um fio?”. O resultado, acredite, foi pior do que o esperado. Muitos não conseguiram realizar a pequena tarefa. O caso apareceu em um vídeo que abriu o 7º Forúm de Inovação Acadêmica, realizado durante a GEduc 2018, e foi utilizado para mostrar a importância do”fazer” dentro do processo de aprendizagem e também o uso de inteligência artificial no ensino.

“Na hora em que você se vê frente à prática, você as vezes não sabe como lidar, mesmo que tenha sido submetido a uma boa teoria”, destacou Fabio Zsigmond, cofundador do Mundo Maker, um dos palestrantes do encontro.

Zsigmond destacou a importância do aprendizado mão na massa como forma de engajar os alunos e também de melhorar a qualidade do ensino, destacando o conceito de ‘construcionismo’ que defende o contato com a prática como forma de potencializar o ensino.

O educador mostrou as metodologias e case do Mundo Maker, que forma um espaço de aprendizagem criativa utilizando de ferramentas que vão além das tecnologias digitais. “O ferramental é importante, mas não há espaço maker se não houver pessoas. Onde tem criatividade tem aprendizagem acontecendo”, ressaltou.

Já Lucas Torres, cofundador da startup Nave à Vela reforçou a utilização do modelo maker como forma de despertar o potencial adormecido do aluno. Ele citou exemplo de um aluno com síndrome de down que desenvolveu projetos por meio do modelo maker. “No fundo estamos falando em uma atitude de protagonismo dos alunos que os levem a criar os próprios caminhos”, afirmou.

Torres ainda reforça a importância de seguir passos para implementar o aprendizado mão na massa. “O primeiro passo para desenvolver o projeto de currículo escolar inovador é a sistematização. Existem três competências, o letramento pedagógico, a resolução criativa de problemas e a realização de projetos”, completou.

A questão do protagonismo individual também foi reforçada por Simone Sanaiotte, diretora executiva do Future Kids. Por meio de uma dinâmica realizada com os presentes, ela destacou a importância de dar voz a todos os alunos, por meio de diferentes estímulos.

“Educação para muita gente é colocar todos na escola. Mas uma vez na sala de aula, o professor consegue alcançar a todos? O professor pede voluntários e quem responde são os mesmos alunos. Você pode promover momentos em que todos falem, inclusive aquele que não gosta de falar, ou o que tem vergonha, basta o estímulo correto”, explicou.

 

Machine Learning e Inteligência Artificial no ensino

Segunda parte do fórum debateu a inclusão de inteligência artifical no ensino

No segundo painel do fórum na GEduc 2018, especialistas debateram modelos de inteligência artificial como forma de organizar dados. O debate contou com a presença de Augusto Portugal, diretor da edtech ForEducation, Emerson Bento, Diretor de inovação do Colégio Bandeirantes, e Adriano Mussa, reitor da Saint Paul, escola de negócios.

Portugal explicou sobre o uso recente do conceito de ensinar a máquina para que ela crie um modelo de resposta baseado em padrões. “Ele (conceito de machine learning) depende de um volume de dados muito grandes. Então é necessário coletar e analisar estes dados. Apesar de ser antigo dentro da área de tecnologia, só recentemente estamos usando este conceito”, salientou.

O uso desta tecnologia também foi defendido como forma de analisar e chegar a conclusões que possibilitam escolher o melhor formato para montar grades de aulas e também facilitar a criação de um formato de ensino adaptativo. “Alimentando um sistema de inteligência artifical nos descobrimos se o desempenho de matemática era melhor para alunos que tinha esta aula no começo o no fim do dia”, citou como exemplo Emerson Bento.

Encerrando o painel, Adriano Mussa destacou o uso do Watson, da IBM, em sua instituição renomeado de Paul. O modelo de inteligência artificial foi usado como forma de criar modelos de ensino adaptativo e também auxiliar os professores na passagem do conteúdo.

Mussa reforçou a necessidade de que os educadores passem a ver este tipo de tecnologia como aliada, para transformar a profissão e escola.

“Pensar que se eu ensinar um robozinho vai fazer com que não seja mais necessário dar aula é o mesmo que pensar que se escrever um livro eu não vou precisar mais ensinar aquilo que escrevi”, exemplificou.

Igor Regis

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