Quando a tecnologia não é suficiente

Kroton-Educacao-Digital-inoveduc-destaque

A dependência que experimentamos em relação às inovações tecnológicas pode levar facilmente à ilusão de que não há salvação fora da tecnologia.

Pagar contas, comprar passagens, marcar exames médicos, consultar a previsão do tempo ou buscar o melhor trajeto para casa estão ao alcance de alguns toques na tela do celular. Tanta facilidade parece sugerir que toda dificuldade do mundo analógico encontra sua superação no digital.

. Educomunicação: fluência de comunicação na escola

Mas existem dimensões da vida em sociedade ou mesmo aspectos das relações humanas que ainda exigem mais do que a mediação tecnológica, pois há questões cuja complexidade não se reduz a algoritmos.

A própria fluência digital é uma habilidade que depende também da intervenção ou mediação de outra pessoa, ainda que os dispositivos sejam cada vez mais intuitivos.

Na educação, o conteúdo acessível digitalmente, a gamificação do ensino, as trilhas de aprendizagem adaptadas às necessidades do aluno ou os programas “robô” que assistem o estudante em suas dúvidas são avanços que ampliam as possibilidades de ensino-aprendizado, mas que não dão conta de todo processo de formação do aluno.

Recursos tecnológicos em sala de aula sem metodologias adequadas podem resultar em práticas pedagógicas pouco eficazes e apenas com aparência de inovação.

Importante é saber usar a tecnologia

Usuários de dispositivos tecnológicos, sem deles se apropriarem crítica e criativamente, podem revelar o quanto é improdutivo tecnologia sem planejamento e capacitação. Estudantes imersos nas atividades de aprendizagem mediadas pela tecnologia, mas sem oportunidades de interação e intervenção em ambientes que não sejam apenas virtuais, podem perder nuanças do próprio conhecimento ou da realidade profissional.

A consciência de que a tecnologia isoladamente é insuficiente não deve, entretanto, levar à negação da própria tecnologia. Ao contrário, demanda adoção de recursos tecnológicos que se sujeitem aos fins que estão além da tecnologia.

Consultamos a previsão meteorológica ou buscamos o melhor trajeto para chegar em casa na volta do trabalho, a fim de aproveitar o tempo livre ou planejar outra atividade. Estudamos em ambientes virtuais para que as aulas presenciais sejam mais participativas ou para flexibilizar rotinas acadêmicas e termos mais autonomia na conciliação dos estudos com nosso trabalho.

. Especializações abordam temas relacionados à educação e inovação

A tecnologia precisa ser apropriada de tal forma que o tempo dedicado àquilo que não depende de seu uso seja mais significativo.

Por isso, se a tecnologia não é suficiente, ela continua necessária.

Luís Cláudio Dallier Saldanha

Luís Cláudio Dallier Saldanha

Doutor em Educação, diretor de Serviços Pedagógicos da Estácio, autor do livro "Fala, oralidade e práticas sociais", entre outras publicações e artigos sobre tecnologia educacional, educação a distância e estudos linguísticos. Tem atuado como professor e palestrante no Ensino Superior há vários anos. Foi Diretor Nacional do Centro de Ensino de Licenciaturas da Estácio entre 2015 e 2016