O que acontece quando a sala de aula é vista como espaço de inovação

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Débora Thomé
Escrito por Débora Thomé

Dois professores brasileiros de rotinas, sotaques e culturas tão diferentes, porém ligados pelo enorme desejo de ensinar. E, agora, também por figurarem entre os 50 melhores educadores do mundo. O Global Teacher Prize, que será entregue em março, incluiu os brasileiros, escolhidos entre dez mil candidatos de 179 países.

. Global Teacher Prize 2019 recebe inscrições de professores de todo o mundo

O próximo passo acontecerá em fevereiro, quando os nomes do Top 10 2019 serão anunciados. Os dez finalistas serão levados a Dubai para a cerimônia de premiação no Global Education and Skills Forum, em março de 2019, onde o vencedor será anunciado ao vivo.

O ganhador será escolhido entre os dez finalistas pelo Global Teacher Prize Academy, formado por pessoas de destaque do mercado. O vencedor leva 1 milhão de dólares. Para saber quais são os critérios dessa escolha, aperte o play!

Tecnologia e inovação que aproximam realidades distantes

Jayse Ferreira é professor de educação artística na Escola de Referência de Ensino Médio Frei Orlando em Itambé, na zona da mata de Pernambuco. Débora Garofalo ensina tecnologia em uma escola da rede pública na Zona Sul de São Paulo, capital.

A complexidade de uma megalópole como São Paulo poderia deixar a troca de experiências com um professor da zona da mata pernambucana distante não só fisicamente. Não fosse a tecnologia e a colaboração cada vez mais crescente na categoria.

Há três anos Débora e Jayse conversam por meio de uma rede online onde educadores de todo o país trocam experiências. Assim como os colegas, a dupla pretende buscar métodos de ensino atraentes, criativos e conectados à realidade.

O mundo lá fora vai querer um aluno crítico. Eu quero um aluno que questione, que procure saber o porquê daquilo”, disse Jayse Ferreira ao Jornal Nacional.

Já para Débora Garofalo, tudo é uma questão de mostrar que a educação pode ser um universo de possibilidades infinitas.

Eles achavam que eles não eram capazes e hoje, quando eu vejo todos os protótipos que eles realizam, eu me orgulho porque eles são capazes. Eu vejo meus alunos querendo ser engenheiros, querendo ser biólogos, porque despertou essa aprendizagem para eles, eles entenderam que eles têm um lugar no mundo hoje.”

Quem são os professores brasileiros indicados ao prêmio internacional

No projeto da professora paulistana, os ensinamentos são aplicados no incentivo à reciclagem. Mais de 2 mil alunos participaram do programa. Criaram protótipos desde robôs e carrinhos até barcos e aviões, usando cerca de 700 quilos de lixo.

. Quase sem recursos, professora cria modelo maker em escola pública

No caso de Jayse Ferreira, a inovação é fomentada por meio da educação artística. O professor usa games e filmes, paixões dos alunos, como plataforma de criação de histórias com efeitos especiais e tudo.

Empresas locais deram o apoio inicial, com doações de equipamentos, roupas e fantasias. Mas os alunos executaram todo o processo de filmagem, da atuação até a edição. Um dos vídeos do produzidos foi visto mais de 20 mil vezes no YouTube em menos de uma semana.

Como está a participação do Brasil no Global Teacher Prize desde 2015

Muitos professores brasileiros já foram selecionados para o Global Teacher Prize, desde sua primeira edição em 2015. Marcio de Andrade Batista, professor da Universidade Federal do Mato Grosso, foi um dos pré-selecionados em 2016.

Wemerson da Silva Nogueira, professor de Ciências na escola Antônio dos Santos Neves, Boa Esperança (ES), foi um dos dez finalistas em 2017. Valter Pereira de Menezes, também professor de Ciências na Escola Luiz Gonzaga, Parintins (AM), foi pré-selecionado no mesmo ano.

Diego Mahfouz Faria Lima, diretor da escola municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto (SP), esteve entre os dez finalistas em 2018. Seu nome foi selecionado entre mais de 30 mil inscritos de 173 países.

Rubens Ferronato foi pré-selecionado também em 2018. É professor de Matemática na Escola Dom Pedro II de Curitiba (PR), especialista no ensino de cegos e pessoas de visão reduzida.

Débora Thomé

Débora Thomé

Editora-chefe
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