Por que Singapura se tornou uma referência mundial em Educação?

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Igor Regis
Escrito por Igor Regis

Singapura conquistou sua independência há pouco mais de 50 anos. De lá para cá, se tornou referência mundial nas áreas de educação e de formação de mão de obra. O país ocupou o primeiro lugar no ranking Pisa 2015 nas três áreas do conhecimento (Matemática, Ciências e Leitura).

Essa foi a pergunta que Mike Thiruman, uma das principais vozes da educação em Singapura, tentou responder em evento realizado no Cubo Itaú, na noite da última segunda-feira, dia 2 de julho, em São Paulo.

Thiruman, que é atual secretário-geral da Singapure Teacher Union (STU), o sindicato dos professores de Singapura, falou sobre todo o processo de estruturação da rede de ensino do país, voltado principalmente para a qualificação dos professores.

. Você consegue imaginar a lista de material dos alunos de Singapura?

O país conta com um sistema escolar compacto, no qual professores passam por treinamento no Instituto Nacional de Educação. O recrutamento acontece com base no grau de conhecimento das disciplinas, para garantir que cada criança compreenda os elementos básicos do ensino.

“Você pode trazer a melhor tecnologia, você pode elaborar o melhor currículo. Mas isso só funciona se você tiver as melhores pessoas à frente dos estudantes. O segredo do sucesso do sistema educacional de Singapura está no investimento nos professores”, destacou.

Sistema educacional de Singapura tem 16 competências como base

O educador também falou um pouco sobre a estrutura escolar, com início na pré-escola, período que vai até os seis anos. A partir daí, as crianças ingressam na escola primária, período que dura seis anos.

No final dessa etapa, o aluno é submetido a um exame que determina o tipo de programa que ele seguirá na escola secundária, equivalente a parte do ensino fundamental II e ensino médio no Brasil. O aluno, então, segue para o que eles chamam de “pós-secundário”, que são universidades, escolas politécnicas e o Instituto de Educação Técnica.

Thiruman também destacou a concentração nas 16 competências que norteiam o sistema educacional. Entre elas estão desde itens básicos, como habilidades em leitura, números, ciência, tecnologia, finanças, a competências socioemocionais, como pensamento crítico, criatividade, colaboração, persistência, liderança e curiosidade.

De acordo com o sindicalista, essa estrutura visa a fugir da antiga estrutura escolar, baseada na rotina, e traz para uma realidade atualizada, onde as mudanças acontecem constantemente.

“Que tipo de habilidades nós precisamos? O futuro precisa de pessoas que possam inovar, analisar e criar novos conhecimentos. O futuro não é da rotina”, disse o educador.

Formação do professor é baseada em 5 pilares

Mas a tecla mais batida pelo singapuriano foi a formação e estruturação da carreira docente. Todo esse processo busca levar para o ensino profissionais que sigam cinco pilares:

Esses itens integram o que se chama de Teacher Growth Model (modelo de crescimento do professor), voltado tanto para a formação da personalidade do professor dentro da sala de aula, quanto para a do aluno.

“Nós temos que construir relações com as pessoas e o modelo de seres humanos que queremos para o futuro. Isso começa na escola”, explicou Mike Thiruman.

Professores podem ter evolução garantida na carreira

Outro ponto importante abordado pelo secretário-geral foi a evolução da carreira de professor. Há três diferentes caminhos a seguir.

O professor que começa em sala de aula pode evoluir a cargos de liderança. Nesse caso, ocupa desde o posto de coordenador de disciplina (subject head) até cargos de comando dentro do sistema educacional, como diretor escolar, superintendente, ou diretor-geral de educação.

. Na Finlândia, os alunos dão aula de tecnologia para seus professores

Além dessa linha de comando, o docente pode seguir carreira como pesquisador ou especialista educacional.

“Às vezes, um bom professor pode não ser um bom líder. Então, criamos três diferentes trilhas para que o profissional tenha oportunidades de crescimento”, explicou Mike Thiruman.

Para garantir essa evolução, os professores passam por 100 horas de desenvolvimento profissional por ano. Também são submetidos a avaliações que verificam performance e desempenho. Fatores que influenciam no crescimento e na trajetória dentro das três trilhas.

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