A tecnologia e a pressão sobre os professores

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Lars Janér
Escrito por Lars Janér

Não são poucas as expectativas sobre os professores nos dias de hoje: espera-se que ensinem de uma maneira totalmente nova (com os alunos ajudando a guiar o processo). Espera-se que criem novos conteúdos, engajantes e adaptados aos diferentes estilos de aprendizagem. Espera-se que trabalhem em equipes, criem testes completos, usem esses testes para melhorar o aprendizado dos alunos e identifiquem os alunos que precisam de ajuda ou de mais desafios. Espera-se que forneçam feedback individualizado para a turma, especialmente para os que precisam de apoio. Espera-se que mantenham todos os alunos em dia com suas tarefas, utilizem cada vez mais tecnologia em todas as suas atividades, deem notas com rapidez e precisão, e, em alguns casos, se comuniquem com frequência com os pais. Esperamos ainda que gerenciem equipes e comitês, e melhorem a produtividade para reduzir despesas e etc, etc, etc….

Expectativas versus realidade

A verdade é todos nós queremos mudanças no ensino — principalmente os professores. Sabemos que é melhor para nossos alunos, para a comunidade e para o mundo. Mas o fato é que os professores já estão com “pratos” demais no ar, e é preciso encarar essa realidade.

Se o trabalho de um professor é ajudar todos os alunos a aprender e atingir todo o seu potencial, precisamos dar a eles o suporte necessário para que isso aconteça — os professores não deveriam ter que fazer tudo. Eles devem ter as tarefas, avaliações e ferramentas na ponta dos dedos; opções de conteúdo de ensino para cada tipo de aula e aluno — e usar software simples e intuitivo para fornecer conteúdo e interagir com os alunos. Os professores devem ter autonomia para poder adaptar esse material, com base no trabalho em equipe, na sua criatividade pessoal e nos resultados dos alunos. E devem ter um sistema de provas e avaliações que facilite a criação imediata de testes — e a flexibilidade para alterar e ajustar tudo isso quando necessário.

Criar tudo isso é o trabalho da equipe de apoio — aqueles que trabalham todos os dias para fazer a “máquina” da educação funcionar. Isso permite que os professores se concentrem nos alunos, ensinando, apoiando, corrigindo e ajudando-os a crescer. Se o trabalho de um professor é ajudar todos os alunos a aprender e atingir todo o seu potencial, precisamos dar a eles a estrutura necessária para que isso aconteça.

Muitos professores acabam aceitando essas expectativas incríveis e acham uma maneira de fazer tudo isso. Nós vemos esses professores nas escolas e nos eventos de desenvolvimento profissional — e celebramos. Mas e os outros, a grande maioria, que lutam pela sobrevivência? E os professores que deixam a profissão todos os anos? Como podemos mudar sua trajetória?

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A resposta não é simples, mas a tecnologia pode ser um dos aliados  e não um obstáculo. Trilhas automatizadas, correção de provas online, bancos de questões com diferentes níveis de dificuldade, feedback em vídeo, e testes online. É preciso que essas e outras ferramentas ajudem os professores a economizar tempo, ganhar produtividade e finalmente focar na sua atividade-fim. Antes de incluir mais atividades em seu dia-a-dia, é preciso ajuda para otimizar as atuais, e as ferramentas para isso já existem. Dessa forma será possível ter altas expectativas sobre o resultado final, já que a mais importante das suas funções estará sendo desempenhada com empenho e dedicação, com uma atitude positiva e confiante.

Lars Janér

Lars Janér

Diretor para América Latina da Instructure (NYSE:INST), empresa americana desenvolvedora de software para ensino acadêmico e treinamento corporativo. Sua principal plataforma, Canvas, é utilizada por mais de três mil instituições de ensino no mundo, incluindo Harvard, Stanford, Wharton, Yale e Berkeley . Lançado mais recentemente, o software de treinamento corporativo Bridge foi escolhido por empresas como Tesla, Microsoft e Slack. Antes de assumir a posição atual, foi responsável pela operação no Brasil da Kaltura, plataforma de vídeo online líder nos mercados de educação e corporativo. Cursou graduação e mestrado em Administração de Empresas na PUC-Rio