Transformação digital: as potencialidades do setor educacional

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Samir El Rashidy
Escrito por Samir El Rashidy

O setor da educação, como qualquer outra área, está imerso nos processos de digitalização e transformação, impulsionados pela tecnologia e por novos modelos e formas de realizar atividades em um mundo cada vez mais digital.

Além da própria demanda do mercado por digitalização de processos, a área de educação necessita de novas tecnologias. Com estudantes cada vez mais conectados, a nova era digital é complexa e requer uma educação flexível, que fomente o espírito de inovação nos alunos, com a adoção de tecnologia em seu potencial máximo, para proporcionar uma aprendizagem completa e contínua.

A tecnologia gerou uma grande variedade de plataformas, equipamentos, sistemas, redes e aplicações que podem estar presentes em aula e que possuem um grande potencial. É possível, no entanto, enxergar um norte para as tendências educacionais existentes e focar nas principais formas de transformação digital aplicáveis no ambiente escolar.

A nova educação é composta de alguns eixos estratégicos. São eles: conectividade, cloud, mobilidade, internet das coisas, e a questão social, subdividida em redes sociais e economia colaborativa.

Os principais aspectos da transformação digital na educação

A conectividade continua sendo a chave para todas as outras áreas de tecnologia. Apesar de ser considerada um “comodity”, ter uma rede rápida, segura e confiável continua sendo a prioridade das universidades. Isso se deve ao fato que seus usuários talvez demandem até mais do serviço, tanto para uso acadêmico como pessoal. Então, ter uma rede wi-fi rápida já é visto como um ponto chave na hora de os estudantes escolherem as escolas.

O armazenamento em nuvem (cloud) é a forma mais simples de compartilhamento e ampliação de conteúdo, que possibilita os estudantes conversarem e trabalharem em equipe, armazenando materiais e lições para uso futuro em qualquer lugar. A nuvem permite que instituições com recursos limitados ampliem o uso da tecnologia da informação para o ambiente educativo de forma simples e acessível.

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A mobilidade é outra tendência mundial. Dados da Teleco mostram que o Brasil já possui 118 celulares para cada 100 habitantes. E que o 4G em outubro de 2017 já estava disponível para 89,9% da população do país. O uso de equipamentos móveis em sala de aula e fora dela, seja o dispositivo trazido pelo próprio aluno — BYOD, tendência chamada Bring your own device, ou traga seu próprio equipamento — ou os fornecidos pela escola, permitem uma interação instantânea entre estudantes e professores, acrescida de mais qualidade e variedade de materiais acessados por meio da internet, além de poder utilizar ferramentas como agendas, notas e câmeras de foto e vídeo para enriquecer os conteúdos escolares, criando uma verdadeira mochila digital, que compreende tablets, smartphones, entre outras tecnologias.

Uma pesquisa da IHS Market prevê que a Internet das Coisas (IoT) vai crescer a ponto de chegar a mais de 75 bilhões de dispositivos até 2025. Essa rede de objetos físicos com tecnologia embarcada traz ao ensino a possibilidade de obter e analisar grandes volumes de dados e, como resultado, a visão em tempo real do desempenho dos estudantes e tudo o mais que ocorre nas escolas e centros educacionais.

Isso facilita a tomada de decisões e a melhoria na experiência de aprendizagem dos alunos. Além disso, os dispositivos de vestir (wearables), virão para inovar o modelo de ensino, ajudando a complementar tarefas, oferecer experiências interativas e em tempo real, além de trazer novas formas de expor conteúdo.

Potencial de transformação digital no país é crescente

Por fim, o último eixo se refere ao uso de redes sociais como forma de fomentar a participação da comunidade educativa. O Brasil, segundo uma pesquisa da eMarketer, é o país que mais utiliza as redes sociais tradicionais na América Latina. Nesse caso, o verdadeiro potencial pode estar em utilizar o hábito já intrínseco no brasileiro de atuar nas mídias sociais voltando-o para a educação, de forma que docentes, alunos, gestores e, no caso da educação infantil, pais, possam fazer parte de uma rede social colaborativa para troca de conhecimento sem restrição de horário ou local — o chamado u-learning, ou aprendizagem ubíqua. Para isso, ferramentas de uso pessoal (como Google e Facebook) já lançaram produtos focados na educação.

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O eixo social também compreende a economia colaborativa, que dá espaço para que pessoas com conhecimentos aprofundados em uma matéria ou assunto possam se converter em educadores da comunidade online, oferecendo cursos que podem ser encontrados em marketplaces, formato no qual estes professores podem obter inclusive retorno econômico da atividade virtual, enquanto os alunos garantem acesso à educação por meio da utilização de um dispositivo conectado à internet.

Nesse contexto, está cada vez mais comum o aprendizado a distância. Portanto, torna-se imprescindível para as universidades terem soluções de colaboração que permitam aos alunos terem acesso aos professores, ao conteúdo acadêmico e também que colaborem entre si em grupos de trabalho. Para isso, ferramentas como Slack, Spark, Webex, Skype dentre outras, já estão se tornando comuns na sala de aula virtual.

Apesar de qualquer limitação do sistema educacional brasileiro, enxergamos aqui algumas potencialidades mundiais que pouco a pouco estão chegando às instituições de ensino do país para trazer melhorias, proporcionando aos estudantes um formato de aprendizagem mais colaborativo e personalizado. A transformação digital traz também um potencial de criação do hábito de utilização de dispositivos tecnológicos nas crianças, adolescentes e novos profissionais recém-chegados ao mercado de trabalho, o que impulsiona uma espiral crescente de novos usos e aplicações da tecnologia na sociedade.

Samir El Rashidy

Samir El Rashidy

Diretor de Pré-vendas e Parcerias para América Latina da Orange Business Services há mais de 13 anos, é responsável por negócios de mais de US$ 250 milhões. O executivo é especializado em desenvolvimento de negócios e gerenciamento de serviços e estratégia de TI