Três aprendizados a serem considerados na hora de implementar um currículo socioemocional na sua escola

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Caio Lo Bianco
Escrito por Caio Lo Bianco

logo-palestrante-BETT-EDUCARCom a homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o enfoque dado pelas escolas às competências socioemocionais, também conhecidas pelo termo educação integral, tornou-se ainda maior.

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Quem leu o documento pode perceber que autoconhecimento, empatia, colaboração, valorização da diversidade, comunicação e pensamento crítico são algumas das competências gerais que, de acordo com a BNCC, deverão, a partir de 2020, ser inseridas não só nos currículos e nas práticas pedagógicas, mas também nos materiais didáticos.

Pensando nisso, há quatro anos, a Eleva Educação desenvolveu um currículo socioemocional próprio chamado LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Depois de um ano visitando programas consolidados nos EUA e escolas com abordagens inovadoras na Finlândia, o LIV foi criado com o objetivo de ser a melhor solução para as escolas brasileiras.

Hoje, o programa já é utilizado por mais de 60 mil alunos, em mais de 100 escolas espalhadas pelo Brasil.

Considerando todo o seu processo de criação e implementação, pode-se destacar três aprendizados principais que adquirimos ao longo desses anos.

Primeiro aprendizado para um currículo socioemocional

O primeiro deles é que o desenvolvimento socioemocional em uma escola deve ser pensado de maneira intencional e estruturada. Para tal, não podemos mais deixar que este seja um trabalho sazonal, muitas vezes apadrinhado por alguns poucos professores que propõem intervenções pontuais, mas, na maioria das vezes, sem continuidade ou profundidade.

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É importante que exista um currículo direcionado para cada segmento, com progressões e abordagens diferentes em cada série e com um material estruturado. Isso não significa, no entanto, que essa estrutura deva engessar o professor. Pelo contrário, no LIV, apesar de existirem planos de aula detalhados para todo o ano letivo, o professor é incentivado a trazer suas próprias contribuições, propondo novas dinâmicas e sempre considerando as particularidades que possam emergir em suas salas de aula.

Ter em mente essa flexibilidade é importante, pois quando abordamos as competências socioemocionais estamos, sobretudo, dialogando com subjetividades. Nós, educadores, sabemos que o que vale para um aluno não necessariamente vale para todos.

Por isso, o LIV considera que flexibilizações são importantes e necessárias, desde que não desviem do objetivo principal do currículo: promover um espaço de fala, de escuta e de interação em sala de aula.

Segundo aprendizado para um currículo socioemocional

O segundo aprendizado é que incluir um tempo na grade curricular focado no desenvolvimento socioemocional tem se provado um instrumento inicial poderoso. Quando fazemos isso, temos a certeza de que, naquele espaço de tempo, o foco é única e exclusivamente o desenvolvimento social e emocional dos alunos.

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É uma maneira de a escola sinalizar para os alunos, pais e professores que a educação integral é tão importante quanto as disciplinas tradicionais e que, portanto, também deve ocupar um espaço na grade curricular.

Quando digo “instrumento inicial” quero atentar para o fato de que apenas um tempo na grade curricular não é suficiente. Com certeza, o objetivo final de todos é que a escola respire as competências socioemocionais como um todo e que essas permeiem todas as disciplinas e espaços da escola.

Para isso, o LIV conta com uma série de palestras e capacitações para professores, funcionários e responsáveis que têm como objetivo o transbordamento do LIV para além dos 50 minutos semanais previstos.

Terceiro aprendizado para um currículo socioemocional

Por fim, acredito que o terceiro aprendizado é a importância do currículo socioemocional falar a linguagem do aluno, considerando os seus interesses.

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No LIV, ao longo da Educação Infantil, trabalhamos com músicas e fantoches que encantam os olhares das crianças. No Ensino Fundamental, sabendo que o adolescente fica boa parte do seu tempo livre assistindo Netflix, criamos quatro minisséries exclusivas, com cunho pedagógico, em que a trama e os personagens se conectam com a vida cotidiana dos alunos. No Ensino Médio, fizemos uma parceria com a youtuber Jout Jout, tão conhecida por jovens nesta faixa etária, que gravou vídeos para os alunos debaterem temáticas diversas.

Tudo isso para dizer que só é possível uma educação integral, se entendermos as reais motivações e interesses dos nossos alunos.

Desenvolver o socioemocional em uma escola, apesar de extremamente necessário, não é uma tarefa simples. O que precisamos buscar é o envolvimento real dos alunos e um espaço garantido pela escola para que isso aconteça.

Caio Lo Bianco é palestrante na Bett Educar. No dia 9, às 16h, falará sobre “Habilidades socioemocionais: como elas podem auxiliar na prevenção do bullying”

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